Anvisa
Valter Campanato/Agência Brasil
Anvisa

Quando um medicamento é aprovado para venda, um alimento precisa seguir regras de rotulagem ou um lote de cosméticos ou detergentes é retirado do mercado por apresentar risco, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)  costuma estar por trás dessas decisões.

Criada pela Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, a Anvisa é o órgão responsável por regular e fiscalizar produtos, serviços e atividades que possam representar riscos à saúde da população. Entre suas atribuições estão a análise de medicamentos, vacinas, alimentos, cosméticos, suplementos alimentares, equipamentos médicos e até a fiscalização sanitária em portos, aeroportos e fronteiras.

A agência é uma autarquia vinculada ao Ministério da Saúde. Isso significa que faz parte da administração pública federal, mas possui autonomia administrativa, financeira e técnica para tomar decisões com base em critérios científicos, sem depender de autorização do governo para cada medida. Essa independência permite que a Anvisa publique normas, autorize ou proíba produtos e determine recolhimentos quando identifica riscos à saúde dos consumidores.

O que a Anvisa regula na prática?

A atuação da Anvisa abrange diversos setores da economia e do sistema de saúde. A agência estabelece normas, concede registros, realiza inspeções, monitora produtos após sua comercialização e pode adotar medidas quando identifica riscos à população.

Entre as áreas reguladas estão:

  • medicamentos;
  • vacinas;
  • produtos para saúde, como próteses, implantes e equipamentos médicos;
  • alimentos e bebidas;
  • suplementos alimentares;
  • cosméticos e produtos de higiene pessoal;
  • saneantes, como desinfetantes, detergentes e água sanitária;
  • sangue, tecidos, órgãos e células destinados a procedimentos médicos;
  • cigarros e outros produtos derivados do tabaco;
  • funcionamento de empresas sujeitas à vigilância sanitária;
  • controle sanitário em portos, aeroportos e fronteiras.

Medicamentos e produtos para saúde

Uma das funções mais conhecidas da Anvisa é avaliar  medicamentos antes que eles possam ser comercializados no país.

Para conceder o registro de um remédio, a agência analisa estudos que demonstram sua qualidade, segurança e eficácia. Somente após essa avaliação o produto pode ser autorizado para venda no mercado brasileiro.

No entanto, o trabalho da Anvisa não termina com a aprovação. A agência acompanha os produtos após sua comercialização para identificar possíveis problemas que não tenham sido observados durante os estudos.

Quando são constatados desvios de qualidade, falhas na fabricação, contaminações ou outros riscos sanitários, a agência pode determinar medidas como a suspensão da fabricação, da distribuição, da importação ou da venda de determinados produtos, além do recolhimento de lotes específicos.

Também estão sob sua responsabilidade produtos para saúde, como seringas, próteses, marcapassos, equipamentos hospitalares, testes laboratoriais e dispositivos médicos utilizados em clínicas e hospitais.

Anvisa é responsável por regular e fiscalizar produtos, serviços e atividades que possam representar riscos à saúde da população
shutterstock
Anvisa é responsável por regular e fiscalizar produtos, serviços e atividades que possam representar riscos à saúde da população


Alimentos, suplementos e bebidas

A Anvisa também desempenha papel fundamental na regulamentação de alimentos industrializados, suplementos alimentares e bebidas comercializados no Brasil.

A agência estabelece normas sobre composição, padrões sanitários, limites para determinadas substâncias, utilização de aditivos alimentares, conservantes, corantes e ingredientes autorizados.

Outro ponto importante é a regulamentação da rotulagem. A Anvisa define quais informações devem aparecer nas embalagens, como tabela nutricional, lista de ingredientes, presença de alergênicos, indicação sobre glúten e outras advertências obrigatórias para auxiliar o consumidor na escolha dos produtos.

Além disso, a agência estabelece critérios para alegações nutricionais e propriedades funcionais dos alimentos, buscando evitar informações que possam induzir o consumidor ao erro.

Embora a fiscalização cotidiana de supermercados, restaurantes e estabelecimentos seja realizada principalmente pelas vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, a Anvisa coordena o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e define as normas que orientam esse trabalho em todo o país.

Quando são identificados riscos à saúde, a agência pode determinar o recolhimento de alimentos, suplementos ou bebidas, além de proibir temporariamente sua fabricação, comercialização, distribuição ou importação até que as irregularidades sejam corrigidas.

Cosméticos, produtos de higiene e saneantes

Itens presentes na rotina dos brasileiros, como shampoos, sabonetes, perfumes, maquiagens, repelentes, protetores solares, cremes hidratantes e desodorantes também são regulamentados pela Anvisa.

Dependendo da categoria e do grau de risco, esses produtos podem exigir apenas notificação ou registro antes de serem comercializados.

A agência também estabelece regras para saneantes, grupo que inclui desinfetantes, detergentes, água sanitária, inseticidas de uso doméstico e outros  produtos destinados à limpeza e desinfecção de ambientes.

Portos, aeroportos e fronteiras

Outra área estratégica de atuação da Anvisa é o controle sanitário realizado em portos, aeroportos, fronteiras terrestres e ambientes alfandegados.

Nesses locais, a agência atua para reduzir o risco de entrada e disseminação de doenças, além de fiscalizar produtos sujeitos à vigilância sanitária que entram ou saem do território nacional.

O trabalho envolve a inspeção sanitária de aeronaves, embarcações, cargas, bagagens, medicamentos, alimentos, produtos para saúde e outras mercadorias que dependem de controle sanitário.

Durante emergências em saúde pública, como epidemias e pandemias, a Anvisa também pode adotar medidas específicas voltadas aos viajantes, estabelecer protocolos sanitários, intensificar inspeções e definir exigências para proteger a população.

A atuação ocorre em parceria com outros órgãos federais, como Receita Federal, Polícia Federal e Ministério da Agricultura, garantindo que produtos sujeitos à vigilância sanitária cumpram as normas brasileiras antes de ingressarem no país ou serem exportados.

Como a Anvisa toma suas decisões

As normas da agência são elaboradas com base em estudos técnicos, evidências científicas e avaliações de risco.

Em muitos casos, antes da aprovação de uma nova regra, a Anvisa realiza consultas públicas para receber sugestões de especialistas, empresas, entidades e da sociedade em geral.

As decisões são analisadas e votadas pela Diretoria Colegiada (Dicol), formada pelos diretores da agência.

Depois de aprovadas, as normas, como as Resoluções da Diretoria Colegiada (RDCs) e outros atos oficiais, são publicados no Diário Oficial da União (DOU). A partir dessa publicação, as medidas passam a produzir efeitos conforme os prazos previstos em cada norma.


O que a Anvisa não faz?

Apesar de sua ampla atuação, existem funções que não são desempenhadas pela agência, uma vez que não fabrica medicamentos, não comercializa produtos, não presta atendimento médico e não substitui o Sistema Único de Saúde (SUS) .

Também não realiza a fiscalização diária de todos os estabelecimentos comerciais do país. Esse trabalho é executado, em grande parte, pelas vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, que atuam seguindo as normas e diretrizes do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.

Como acompanhar as decisões da Anvisa

Consumidores, profissionais de saúde e empresas podem acompanhar as decisões da agência por meio do portal oficial da  Anvisa e do Diário Oficial da União, onde são publicadas resoluções, consultas públicas, registros de produtos, suspensões, recolhimentos e outras medidas regulatórias.

Acompanhar essas publicações é uma forma de verificar alterações nas regras sanitárias e identificar alertas sobre produtos que possam representar riscos à saúde.

    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes