
Um levantamento realizado em escala global revelou a existência de mais de 40 mil vírus desconhecidos, presentes em ambientes urbanos como metrôs, hospitais e redes de esgoto. A descoberta foi publicada em um artigo da revista Nature Communications.
O estudo analisou 2.922 amostras, coletadas em 102 cidades de 31 países, incluindo São Paulo.
A partir do material, os pesquisadores montaram o Atlas de Vírus de RNA Urbanos e Periurbanos, que catalogou 54.945 espécies virais. Desse total, 42 mil nunca haviam sido descritas pela ciência.
Como as amostras foram coletadas?
O conteúdo genético foi, em sua maioria, recolhido pelo consórcio MetaSUB, entre março e julho de 2020, auge da pandemia de COVID-19.
O método consistiu em esfregar cotonetes estéreis (swabs) em superfícies de contato frequente, como corrimãos, bancos e máquinas de bilhetes.
Durante o processo, também foram utilizadas sequências extraídas de bancos de dados públicos, que cobrem áreas do entorno das cidades, incluindo solo, sedimentos, água doce, estufas agrícolas e redes de esgoto.
Todo o material passou por sequenciamento metatranscriptômico. A técnica baseia-se na decodificação simultânea do RNA de todos os microrganismos de uma amostra para descobrir quais genes estão ativos naquele momento.
Os novos vírus representam risco para a população?
Segundo os cientistas, apesar dos números expressivos, eles não representam perigo à população, pois não conseguem infectar seres humanos.
Apenas um terço das sequências teve hospedeiros mapeados, sendo mais da metade vírus que infectam bactérias.
*Estagiária sob supervisão