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Quando o organismo é exigido demais, não consegue descansar o suficiente. É aí que os benefícios tendem a desaparecer, alertam os especialistas

Reuters

Desânimo: cansaço é um dos primeiros sinais de que o corpo está sendo exigido demais
Getty Images
Desânimo: cansaço é um dos primeiros sinais de que o corpo está sendo exigido demais

Você é o tipo de pessoa que está constantemente pensando sobre o próximo treino? Anda chateado por ter perdido uma aula de ginástica? Especialistas em fitness afirmam: mais nem sempre é melhor e excesso de malhação pode, pasme, enfraquecer – além de causar lesões, claro.

“Há pessoas totalmente sem condicionamento físico e também pessoas em forma que exageram” disse Geralyn Coopersmith, diretora nacional do Instituto Equinox de Fitness Trainning.

“Exercício é como uma droga, se você não tem o suficiente, não obtem os benefícios, e se tiver muito, pode ter problemas”, diz a especialista.

Dores nas canelas, esporão e tendinite estão entre as lesões mais frequentes do excesso de treino, aponta Coopersmith, que supervisiona o treinamento de personal trainers das academias da rede Equinox.

“Alguns dias de treino precisam ser intensos, e outros nem tanto. O exercício físico é um estressor. Se é demais, o corpo sofre.”

Fadiga extrema, irritabilidade, mau humor, ritmo cardíaco elevado mesmo em repouso, febre e uma incapacidade de se manter no nível anterior estão entre os sinais de que você está exagerando nos treinos, explica a professora.

Para a professora californiana Amy Dixon, é importante abordar o tema do excesso de treinamento com os alunos, mas de forma delicada e só quando eles estão prontos para ouvir.

“Eu tinha uma aluna que fazia a minha aula de ciclismo indoor, depois ia para a esteira por uma hora e na sequência fazia mais 40 minutos de elíptico” conta Dixon, criadora da série famosa série de exercícios em DVD “Give me 10”.

“Identifique um vício em exercícios e muitas vezes você vai descobrir outro. Talvez seja um problema com comida ou com álcool e festas. Se a pessoa está malhando dia a noite, ela está exagerando. E o corpo está em sofrimento, diz Dixon.

Para Dixon e seus colegas, o overtraining é um risco ocupacional. “Um monte de instrutores de fitness acabam caindo nessa categoria porque malhar é o nosso trabalho. Sei de instrutores que são mais de 30 aulas por semana”.

O fisiologista do exercício Tom Holland, que já treinou as pessoas em tudo – de escalar montanhas a correr maratonas –, já parou de atender pessoas que queriam que ele os exigisse demais.

“Eu treino um monte de tipos que pensam que são o Lance Armstrong”, conta Holland, autor do livro Beat the Gym: Personal Trainer Secrets Without the Personal Trainer Price Tag (ainda sem tradução para o português), referindo-se ao ciclista que já venceu o Tour de France sete vezes.

Segundo Holland, boa parte de seu trabalho envolve dizer às pessoas o que não fazer.

“Eu tento evitar que eles se machuquem. Crio programas individualizados nos quais há sempre um dia de descanso. Quando os clientes querem eliminá-lo, tento explicar que o corpo não fica mais saudável durante os treinos e sim durante os dias de descanso.”

Jessica Matthews, fisiologista do exercício ligada ao Colégio Americano do Exercício, conta que já enviou diversos alunos que treinavam com ela para o consultório do psicólogo.

“É ótimo contar com outros profissionais para ajudar os clientes a reconhecer que eles podem ter um problema”, diz Jessica, que atua em San Diego, na Califórnia.

Ela explica que os sintomas de overtraining podem incluir dores de cabeça constantes, insônia e dor muscular grave, bem como desempenho diminuído.

“Existem tantos benefícios no exercício, mas se a pessoa está se malhando excessivamente, mesmo os maiores benefícios, como o bom humor e o sono de melhor qualidade, começam a desaparecer”.

* Por Dorene Internicola

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