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Preparo psicológico fez toda diferença para alguns atletas brasileiros que voltaram com a medalha no peito. Saiba mais sobre a psicologia do esporte

Sarah Menezes e medalha de ouro conquistada em Londres 2012
AFP
Sarah Menezes e medalha de ouro conquistada em Londres 2012

Subir ou não no lugar mais alto do pódio pode estar a um psicólogo de distância. Entre os distintos atletas de alto nível, como os que participam das Olimpíadas de Londres, a diferença técnica e de desempenho costuma ser pequena. O que pode pesar no momento do confronto é o preparo emocional, o controle dos próprios sentimentos e da própria mente.

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Foi a esse diferencial que a judoca brasileira Sarah Menezes, campeã olímpica, creditou sua inédita medalha de ouro.

Consegui lutar raciocinando e essa foi a diferença. Para cada adversária eu tinha uma estratégia diferente e consegui fazer tudo o que eu planejei ”, disse. A atleta também exaltou o trabalho feito com sua psicóloga, Luciana Castelo Branco.

Luciana passou a acompanhar a judoca em 2009 e, segundo ela, a orientação estava mais voltada ao controle da ansiedade.

“A Sarah sempre teve muita motivação, sempre foi disciplinada e comprometida, uma das necessidades era controlar a ansiedade para que esse sentimento não atrapalhasse suas habilidades”, afirmou.

Apesar de não ter viajado a Londres, a psicóloga acompanhou pela televisão todas as lutas da atleta.

“Vi que ela estava se desenvolvendo bem, realmente bem preparada. E o resultado é fruto do trabalho de toda uma equipe”, frisa.

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Preparar um atleta para superar os próprios limites não é simples e nem rápido. É preciso controlar a sede de vitória e as frustrações, sem perder de vista a motivação.

“Vários estudos mostram que quando o atleta se fixa no resultado o nível de ansiedade aumenta, ele perde o foco e entra em estresse. E isso é contraprodutivo”, alerta Luciana.

Por isso, os profissionais trabalham com metas de rendimento, para que o atleta possa focar em como fará para alcançá-las, em vez de se cobrar pelo resultado final.

“Se conseguir aplicar isso na competição e fazer uma boa prova, o resultado virá como consequência”, ressalta Simone Meyer-Sanches, presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte e psicóloga da equipe de atletismo BM&F Bovespa.

O foco do atleta tem de estar voltado às tarefas que ele precisa desempenhar no dia a dia, ou em curtos espaços de tempo determinados. Dessa forma, ele percebe a própria evolução, se torna mais confiante e motivado.

Vale ressaltar que cada modalidade precisa de um treinamento diferente, já que as competências exigidas em uma luta, por exemplo, são distintas daquelas em partidas de jogos.

“Em geral, esses atletas já têm algumas habilidades psicológicas mais desenvolvidas. O que fazemos é avaliar o meio, orientar os pais, a comissão técnica e reforçar pontos positivos e controlar negativos”, avalia Luciana.

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Quando a mente fraqueja

Mas, às vezes, mesmo um bom acompanhamento psicológico não é capaz de evitar a derrota. Nesse momento, a ajuda psicológica é ainda mais imprescindível. Assim como o sucesso pode mexer com a cabeça de um atleta, o fracasso também pode comprometer toda uma carreira.

“Muitas vezes o atleta se cobra por um resultado que está acima do seu potencial naquele momento, e isso inevitavelmente irá resultar em frustração”, ressalta Simone. É possível que o atleta passe por um período depressivo, de tristeza, que é inevitável.

“Como ele estará se cobrando e culpando pelo que aconteceu, é preciso preservá-lo das cobranças externas e fortalecê-lo para enfrentar as críticas, auxiliando-o a reconhecer os erros e mostrando que está trabalhando para superar essa falha”, explica a psicóloga.

Estudos científicos recomendam que, no momento da decepção, se evite discussões, brigas ou comportamentos negativos em relação ao atleta nas 24h seguintes à derrota, para que ele possa se reestabelecer.

O caminho é aumentar a sensação de controle da situação, para que o esportista possa reestabelecer novas metas de rendimento, mesmo em uma situação marcada pela falta de controle do próprio desempenho (e das repercussões do resultado insatisfatório).

De acordo com Simone, nesse momento é importante retomar o prazer e a motivação que o levou a se dedicar para aquela modalidade.

“Não existe sucesso sem derrota, elas fazem parte do aprendizado do atleta e é preciso saber lidar também com isso”, ressalta Luciana.

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