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Ao analisar o sabor de alimentos como o chocolate, cientistas identificaram substâncias semelhantes às usadas para tratar transtornos psiquiátricos. Saiba mais

Chocolate: estudo do sabor está revelando que ele tem semelhanças químicas com remédios usados para tratar transtornos de humor
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Chocolate: estudo do sabor está revelando que ele tem semelhanças químicas com remédios usados para tratar transtornos de humor

A noção de que comer certos alimentos para melhorar a sensação de tristeza é uma forma de automedicação vem ganhando força depois que os cientistas identificaram alguns ingredientes cuja química é muito similar a de medicamentos estabilizadores de humor amplamente prescritos pelos médicos.

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Uma pesquisa, apresentada este mês no encontro nacional da Sociedade Americana de Química, na Filadélfia (EUA), se baseou em diversos estudos científicos que relatam os efeitos benéficos ao humor de alimentos como chocolate, chás, mirtilo, framboesa, morango e outros alimentos que confortam – em inglês eles são conhecidos como comfort food.

“A tendência para a depressão em suas diversas formas tem aumentado devido à nossa sociedade estressada, [e] os antidepressivos são eficazes para 50% a 60% dos pacientes”, diz a autora do estudo, Karina Martinez-Mayorga, que iniciou a pesquisa enquanto ainda atuava no Institudo de Estudos Moleculares Torrey Pines, em San Diego (EUA) – ela integra agora o Instituto de Química da Universidade Nacional Autônoma do México.

“Tudo isso sugere a necessidade de estratégias novas e criativas para melhorar a tristeza”, afirma ela, enfatizando que o principal interesse da pesquisa sobre sabores foi melhorar o humor em pessoas normais e saudáveis durante períodos de tristeza e não em quem sofre de depressão clínica .

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Martinez-Mayorga e sua equipe usaram a quimioinformática, que consiste no uso de computadores para examinar as estruturas químicas de mais de 1.700 ingredientes de sabor de alimentos em busca de semelhanças com antidepressivos e outras substâncias com efeito antidepressivo.

Embora não tenha querido pontuar nenhum ingrediente específico durante a apresentação da pesquisa no encontro da Sociedade Americana de Química – os resultados são preliminares e o estudo ainda não foi concluído, revisado e publicado em um periódico especializado – a equipe informou que alguns têm uma semelhança química impressionante com o ácido valpróico. Também usado para tratar convulsões, o ácido valpróico ajuda a estabilizar os sintomas maníacos associados ao transtorno bipolar , doença marcada por períodos de depressão alternados com mania.

As pesquisas feitas pelo grupo de Martinez-Mayorga focam em mudanças menos severas de humor. Portanto, observa a pesquisadora, pessoas que tomam antidepressivos devem seguir com a prescrição médica. A equipe argumentou, no entanto, que futuros estudos podem sim, resultar em recomendações dietéticas ou novos suplementos nutricionais com efeitos positivos sobre o humor.

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Para Sharon Zarabi, nutricionista do Hospital Lenox Hill, em Nova York, os resultados do estudo não foram propriamente uma surpresa, dado o crescente mercado de suplementos, que busca identificar nutrientes essenciais e transformá-los em pílulas ou extratos.

Ela lembra que a noção de que vários grupos de alimentos têm efeitos na modulação do humor já é bem estabelecida. Por exemplo, já se sabe que as proteínas da carne, do peixe, das aves e dos ovos aumentam os níveis dos “hormônios do bem-estar”, afetando a atenção e a energia. Da mesma forma, acrescenta a nutricionista, carboidratos não refinados elevam os níveis de um neurotransmissor do cérebro que diminui a dor e acalma.

“Eu, pessoalmente, acredito que tudo que você come afeta o modo como você se sente”, diz ela, acrescentando que sempre incentiva seus pacientes a procurar nutrientes essenciais de alimentos integrais.

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“Não precisamos de suplementos e pílulas, precisamos de comida. Por isso, se cuidarmos da nossa alimentação para que ela nos dê energia ao longo do dia, certamente ao mesmo tempo estaremos recebendo os nutrientes adequados para a produção das substâncias do bem-estar.”

Como este estudo foi apresentado em uma reunião médica, os dados e conclusões devem ser vistos como preliminares até que ele seja publicado em um jornal científico, que é revisado por outros cientistas da área.

* Por Maureen Salamon

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