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Estudo comparou homens que malhavam 60 e 30 minutos e observou que os que emagreceram mais foram os que se exercitaram menos

A maioria das pessoas que começa a se exercitar na esperança de perder peso acaba decepcionada, uma circunstância lamentável, familiar tanto para quem se exercita quanto para os cientistas.

Vários estudos descobriram que, sem grandes mudanças na dieta , o exercício normalmente resulta, na melhor das hipóteses, apenas em modesta perda de peso – embora geralmente torne as pessoas muito mais saudáveis. Alguns exercícios não levam à perda de peso. Alguns levam ao ganho de peso.

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Mas há notícias animadoras sobre atividade física e perda de peso em um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Copenhague, na Dinamarca. O estudo mostrou que o exercício parece contribuir para estreitamento do abdômen, desde que a quantidade de exercício não seja nem muito pequena, nem muito grande.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas dinamarqueses selecionaram um grupo de jovens rechonchudos e sedentários, um segmento da população cada vez mais comum na Dinamarca, assim como em outras partes do mundo.

Os voluntários, a maioria na faixa dos 20 a 30 anos, foram a um laboratório para se submeterem a medidas de base de capacidade aeróbica, gordura corporal, taxas metabólicas e saúde em geral. Nenhum deles tinha diabetes , pressão alta ou doenças do coração e, apesar de serem pesados, eles não eram obesos.

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Os homens foram então designados aleatoriamente para se exercitarem ou não. Os que não se exercitaram, que serviram como grupo-controle, voltaram à rotina antiga, sem qualquer alteração na dieta ou hábitos sedentários. Um segundo grupo fez treinos moderados por 13 semanas, se exercitando quase diariamente com ciclismo, corrida, simplesmente suando por cerca de 30 minutos, ou até que cada homem tivesse queimado 300 calorias (com base em sua taxa metabólica individual).

Um terceiro grupo enfrentou uma rotina mais árdua de quase uma hora de exercícios, onde cada homem queimou 600 calorias. Foi pedido aos homens que não mudassem conscientemente a dieta, quer comendo mais ou menos, e que mantivessem diários alimentares detalhados ao longo das 13 semanas. Em certos dias, também foi solicitado que eles usassem sensores de movimento para medir quão ativos estavam nas horas anteriores e posteriores ao exercício.

No final das 13 semanas, os membros do grupo controle pesavam o mesmo que no começo, e as suas porcentagens de gordura corporal não foram alteradas, o que não é surpreendente. Por outro lado, os homens que se exercitaram mais, com treinos de 60 minutos por dia, conseguiram reduzir um pouco a flacidez, perdendo, em média, cinco quilos cada um.

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Os cientistas calcularam que a perda de peso, embora não desprezível, foi cerca de 20% abaixo da esperada, dado o número de calorias que os homens estavam gastando a cada dia durante o exercício, considerando que a ingestão de alimentos e outros aspectos de suas vidas foram mantidos.

Enquanto isso, os voluntários que haviam se exercitado por apenas 30 minutos por dia alcançaram resultados consideravelmente melhores, perdendo cerca de sete quilos cada, um total que, dado o menor número de calorias que eles estavam queimando durante o exercício, representa um "bônus" de 83% sobre a perda de peso esperada, disse Mads Rosenkilde, doutorando na Universidade de Copenhague, que liderou o estudo.

Essa impressionante e inesperada perda de peso com exercícios leves "foi um pouco chocante", disse ele.

Não ficou completamente clara, por meio dos dados adicionais do experimento, a razão pela qual os participantes desse grupo foram muito mais bem-sucedidos na perda de peso do que os outros homens.

No entanto, disse Rosenkilde, há indícios. Os diários alimentares do grupo que queimou 600 calorias por dia revelam que eles foram aumentando o tamanho de suas refeições e lanches, embora a ingestão calórica adicional não tenha sido suficiente para explicar a diferença de resultados.

"Eles provavelmente estavam comendo mais" do que anotavam, disse Rosenkilde. Eles também estavam totalmente inativos nas horas em que não estavam se exercitando, de acordo com os sensores de movimento. Quando não estavam se exercitando, eles estavam, na maior parte do tempo, fatigados.

"Eu acho que eles estavam cansados", disse Rosenkilde.

Os homens que exercitaram a metade do tempo, no entanto, pareciam energizados e inspirados. Seus sensores de movimento mostram que, em comparação com os homens dos outros dois grupos, eles estavam ativos durante o tempo em que não estavam se exercitando.

"Parece que eles estavam usando as escadas e não os elevadores, simplesmente se movimentando mais", disse Rosenkilde.

"Foram pequenas coisas, mas elas se somam."

A mensagem geral, segundo ele, é que as sessões mais curtas de exercícios parecem ter permitido que os homens "queimassem calorias sem que quisessem repor as mesmas em grandes quantidades".

As sessões de uma hora eram mais exaustivas e geravam um desejo inconsciente maior e mais forte de repor os estoques de energia perdidos. Naturalmente, o estudo envolveu apenas homens jovens, cujo metabolismo e motivações para perda de peso podem ser bem diferentes dos de outros grupos.

O estudo também foi de curta duração, e os resultados podem mudar, por exemplo, ao longo de um ano contínuo de exercícios, disse Rosenkilde. Os homens que se exercitaram durante 60 minutos, no fim das contas, estavam desenvolvendo alguns músculos, enquanto os que se exercitaram por 30 minutos não estavam.

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Essa musculatura extra compensa parte da perda de gordura com exercícios árduos em curto prazo – eles levam à perda de gordura, mas adicionam músculo, diminuindo a perda líquida –, mas em longo prazo eles podem acelerar o metabolismo, auxiliando no controle de peso.

Ainda assim, se a relação entre exercício e perda de peso permanece complicada e confusa, um ponto é incontestável. Os homens que eram sedentários não perderam nenhum peso, disse Rosenkilde, então, se você espera perder peso, "qualquer quantidade de exercício é melhor do que nada".

* Por Gretchen Reynolds

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