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Movimento Beer Runners nasceu nos EUA, ganhou força na Espanha e conquistou até atletas profissionais. Especialistas pedem cautela na prática

A triatleta Nuria Fernandes é uma das adeptas da corrida de rua com cerveja, movimento chamado Beer Runners
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A triatleta Nuria Fernandes é uma das adeptas da corrida de rua com cerveja, movimento chamado Beer Runners

A moda da corrida de rua ganhou mais um ingrediente nos Estados Unidos e na Espanha. Organizadores das provas oferecem aos participantes após a conclusão das provas um copo de cerveja – para hidratar e descontrair – em um movimento batizado de Beer Runners (corredores da cerveja, em tradução livre).

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O Beer Runners nasceu em Chicago, mas ganhou força entre os espanhóis. No país, o governo patrocina e divulga os eventos, com o propósito de conciliar exercício físico e diversão. A “cerveja-troféu” pode ser servida em copos plásticos após a passagem pela linha de chegada ou nos bares próximos ao local do circuito, onde os corredores ficam reunidos depois das provas.

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A iniciativa espanhola de agregar status de prática saudável à cerveja vai além do esporte. O Ministério da Agricultura local está empenhado em divulgar as propriedades terapêuticas do líquido – que é rico em nutrientes – desde que consumido com moderação (no máximo duas latinhas por ocasião em que se decide beber álcool).

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Os exageros, afirmam os médicos, anulam os benefícios e trazem riscos à saúde. Mas caso o consumo fique restrito à dupla dose diária, a cerveja pode ser fonte de polifenois, eletrólitos, silício e vitaminas, compostos importantes na recuperação do organismo desgastado pela atividade física.

“A cerveja com os amigos após o esporte vai além da recuperação metabólica”, afirmou o fisiologista do esporte, Carlos Peñas Ruiz, um dos organizadores do Beer Runners em Madri (capital da Espanha).

“É uma oportunidade de não destacar apenas o lado ruim do exercício e divulgar que, com moderação, a cerveja pode fazer parte da empreitada contra o sedentarismo”, completou ele durante o Simpósio Internacional da Cerveja e da Saúde, realizado no início de novembro na Espanha.

Cautela

O cardiologista do esporte do Brasil, Nabil Gorayeb, estava no simpósio madrileno sobre cerveja e ponderou a vinculação da bebida à corrida.

“O álcool desidrata naturalmente o corpo, aumenta a pressão, eleva a temperatura corpórea. Tenho dificuldade em reconhecer a importância em incentivar o consumo, em um contexto de tanto abuso de cerveja”, afirmou Gorayeb, que atua nos principais centros de cardiologia do País.

Entre os brasileiros, o abuso de álcool é apontado como um dos principais fatores de problemas hepáticos, câncer, violência doméstica e violência no trânsito. Somente entre as mulheres, a média é de 15 internações por dia devido o exagero nas doses etílicas.

Os defensores da cerveja reconhecem os prejuízos causados pelo abuso e reforçam que a cerveja só pode fazer parte do cardápio caso consumida em doses mínimas.

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“São três palavras que devem acompanhar o consumo de cerveja: moderação, moderação e moderação”, reforçou o médico do Hospital Sinai,em Nova York, Juan José Badimon que participou do simpósio e pesquisa os efeitos protetores da cerveja nas doenças cardíacas.

Amadores e profissionais

Entre os “beer runners”, a moderação é defendida especialmente pelos atletas profissionais que aderiram ao movimento. A triatleta espanhola, Núria Fernandes, 36 anos, afirma que a cerveja em excesso compromete a performance não só no dia seguinte, mas por um longo período.

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“Ao mesmo tempo, desde que eu comecei a treinar e me tornei profissional levei uma vida de privações extremas, quase sem tempo para diversão”, conta ela.

“Há 3 anos, sofri uma lesão, tive que ficar afastada e simplesmente percebi que não sabia fazer nada além de treinar. Por isso, sei a importância da moderação. Não exagero na bebida nunca. Assim como não exagero mais nas proibições.”

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