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Com ingredientes bem brasileiros, geriatra garante que alimentação de população ribeirinha gera longevidade e saúde

Tucumã, pupunha, cubiu, jaraqui. Os nomes são estranhos e pouco conhecidos da maioria dos brasileiros, mas esses são ingredientes essenciais da dieta amazônica, elencada pelo geriatra amazonense Euler Ribeiro , com base em dois anos de pesquisa com uma comunidade ribeirinha.

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Conheça os ingredientes da dieta amazônica:


Em conjunto com a geneticista gaúcha Ivana Cruz, Euler estudou a população de Maués, município a 260km de Manaus em que a população com 80 anos ou mais é de 1%, índice acima da média nacional, de 0,5%, de acordo com o IBGE.

“Queríamos identificar quais os fatores que levam à longevidade nessa região”, conta o médico. “A dieta guarda elementos que agem na saúde e na expectativa de vida, tão bons quanto aqueles encontrados na dieta do mediterrâneo”, reforça Ivana.

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Frutas regionais, peixes de rio e derivados da mandioca formam o tripé essencial desse modelo alimentar. Diariamente, o “homem da floresta”, como os médicos apelidaram essa população, come castanhas, pupunha, tucumã (por fora ele é semelhante a um coco e por dentro parece um mamão), guaraná, açaí e cubiu (fruto da família do tomate). Esses alimentos ajudam a proteger o sistema imunológico, evitam a concentração de açúcar no sangue (ajudando a combater o diabetes ) e dão energia.

“O açaí é energético por excelência e é rico em magnésio, o guaraná, tomado em jejum todos os dias, aumenta a contração da força muscular, ajuda a manter a memória porque é vaso dilatador cerebral e é anticarcinogênico”, explica o geriatra.

Os peixes mais consumidos, como o jaraqui, por exemplo, são muito ricos em ômega3, 6 e 9 e podem ser facilmente comparados com o salmão. Além disso, a substituição do trigo pelos derivados da mandioca traz vantagens.

“A mandioca contém vitaminas do complexo B em grande quantidade, fibras solúveis e proteínas, além de não conter glúten”, destaca Euler.

O que não é consumido também faz diferença no quesito longevidade. Sal, por exemplo, não entra no cardápio, assim como frituras.

“Tudo é temperado, mas com cebola, alho cheiro verde e outras ervas, e não com sal. Os peixes são assados”, exemplifica Ivana.

“Nós seguimos as dietas das francesas, dos norte-americanos, mas podemos estar frente a uma dieta que seja mais próxima da nossa realidade”, acredita ela.

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Outros dois fatores têm papel importante na longevidade de Maués: a atividade física e o descanso. A população ribeirinha é muito ativa e não deixa de dormir 8 horas por dia. De acordo com os especialistas, é a soma de todos esses fatores que garante uma menor incidência de doenças graves como a hipertensão , o diabetes e os incidentes cardiovasculares, garantindo saúde e impactando diretamente na qualidade de vida.

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