Tamanho do texto

Sala que simula caverna de sal promete conforto respiratório por meio de um tratamento alternativo conhecido como haloterapia. Saiba mais

Uma sala revestida de sal. Sal grosso e refinado se estendem pelo chão, paredes e teto, em uma atmosfera com temperatura amena e umidade controlada. É nesse ambiente, na zona oeste da capital de São Paulo, que pessoas com problemas respiratórios estão buscando alívio, embasadas numa constatação do século 19, quando percebeu-se que os trabalhadores de minas de sal na Polônia praticamente não tinham problemas respiratórios.

“Um médico alemão também observou a melhora de pacientes que se abrigaram em cavernas de sal na época dos bombardeios da 2ª guerra mundial”, conta Luiz Pregnaca, sócio da VitaSal , clínica que oferece o tratamento.

A sessão na ‘caverna de sal’ consiste em 45 minutos dentro do ambiente salino.

“Uma sessão corresponde a quatro dias na praia”, explica Cândido de Barros, outro sócio da clínica.

Espreguiçadeiras confortáveis estão à disposição dos clientes, que podem usar o período para assistir a um filme ou simplesmente relaxar, condição proporcionada pela adição de luzes coloridas – outra técnica alternativa, conhecida como cromoterapia.

Leia mais: De qual cor sua saúde precisa?

A reportagem do iG foi ao local experimentar a sensação de estar cercado de sal por todos os lados. A máquina trituradora de sal, importada da Sérvia, lança partículas minúsculas na sala e forma uma névoa quase imperceptível, mas que o paladar consegue identificar – um leve gosto de sal chega à língua quando se respira pela boca.

Ao final de 45 minutos já é possível ver que as partículas circularam por toda a sala, basta observar o depósito de pequenos grãos em qualquer objeto pessoal levado para a ‘caverna’, como as lentes dos óculos.

Mas o sal não eleva a pressão arterial? Pregnaca esclarece que a quantidade inalada é muito pequena.

"São cerca de 9 mg por sessão. Para efeitos de comparação, 1 litro de água mineral tem em média 30mg."

Mas ele ressalta que o tratamento é contraindicado para pacientes com hipertensão descontrolada. “Se a pessoa é hipertensa mas faz tratamento médico controlando a pressão, não há problema”.

Além da hipertensão sem tratamento, a terapia é contraindicada para pacientes em tratamento de câncer por meio da radioterapia ou quimioterapia, com febre, infecções, tuberculose ou insuficiência cardíaca.

“Não há nada forçado nas sessões, o paciente fica dentro da ‘caverna’ pelo tempo estabelecido, respirando normalmente”, explica Pregnaca.

Patrícia Pellegrini, 37, que conheceu a terapia recentemente, é asmática desde o nascimento. Com apenas quatro sessões, ela diz que se sente renovada.

“Estava em crise havia alguns dias e optei por testar a terapia. Cheguei com falta de ar, chiado no peito e muito cansaço. Depois dos 45 minutos senti que o peso no peito havia desaparecido, e me senti um pouco melhor. Em casa, dormi como um anjo, até de bruços, algo impossível quando tenho as crises”, conta ela. Antes de descobrir a sala de sal, Patrícia costumava se recuperar de crises pesadas de asma passando alguns dias na praia.

Chamado de haloterapia (halo significa sal em grego), o tratamento chegou a São Paulo no início de abril. Segundo Pregnaca, o objetivo não é prometer a cura.

“A haloterapia é um complemento ao tratamento tradicional. A pessoa deve continuar seguindo a orientação do médico e usando os medicamentos prescritos normalmente. O que ocorre nas sessões é que o cliente relata um conforto respiratório, começa a dormir melhor, o sal adere ao muco e favorece a expectoração”. Ele acrescenta que a terapia também é recomendada para problemas de pele, como eczema e psoríase.

Saiba mais sobre a psoríase na Enciclopédia da Saúde

Barros recomenda 10 sessões como parte do tratamento. “O ideal é fazer cinco em dias seguidos e as outras em dias alternados, dentro do prazo de duas semanas. E, de vez em quando, fazer a manutenção com algumas sessões".

Mas nem só os adultos se beneficiam do tratamento. Há uma sala especial para as crianças, com brinquedos à disposição dos pequenos.

“Eles são supervisionados por um adulto durante a sessão, para evitar algumas ‘artes’, como comer o sal”, aponta Pregnaca.

Leia mais notícias de saúde

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.