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Aprenda a identificar algumas armadilhas nos alimentos industrializados e faça escolhas benéficas à saúde

Eleger opções saudáveis entre os alimentos processados e industrializados nunca foi uma tarefa fácil. Nos últimos anos, entretanto, a escolha está ficando ainda mais complexa.

Atendendo a uma demanda crescente dos consumidores por uma alimentação mais saudável e equilibrada, a indústria alimentícia tem tentado se adaptar e está promovendo mudanças nos produtos. Nunca as prateleiras dos supermercados abrigaram tantas opções com 0% de colesterol, livres de gordura trans, com teor reduzido de sódio e ricas em fibras.

Mas como saber se o que o fabricante alardeia traz mesmo benefícios com o consumo regular? Existe uma maneira de garimpar opções mais saudáveis entre os alimentos processados e industrializados?

Aprenda: Como ler os rótulos dos alimentos

O mais importante é sempre tentar entender o que está sendo comprado, sem se deixar levar apenas pelo que está em evidência na embalagem. Em alguns casos, porém, o consumidor pode ser confundido pela publicidade.

Queijo branco: dependendo da fabricação, pode ter altos teores e gordura saturada, calorias e sal
Getty Images
Queijo branco: dependendo da fabricação, pode ter altos teores e gordura saturada, calorias e sal

“A alegação de 0% de colesterol era muito utilizada em óleos vegetais para mostrar os benefícios em relação à manteiga, por exemplo, mas todo produto de origem vegetal (soja, canola, girassol etc) não contém colesterol, essa é uma característica natural do óleo vegetal. Agora, temos visto o 0% de colesterol acompanhado da frase ‘como todo produto de origem vegetal’, para não soar como um benefício ao consumidor”, explicam as nutricionistas Samantha Peixoto e Carolina Silva, do blog Fechando o Zíper.

Fera em desvendar rótulos de alimentos industrializados e pesquisar alternativas melhores entre produtos semelhantes disponíveis para o consumidor nos mercados, a dupla nos ajudou a esclarecer alguns pontos do rótulo, para enfrentar as prateleiras lotadas de embalagens chamativas com maior conhecimento de causa – ainda que sem radicalismos.

“É importante ter conhecimento de que nenhum alimento é vilão por si só. O problema é o desequilíbrio na alimentação ao longo do tempo. Por isso, devemos priorizar os alimentos mais naturais e deixar os mais ‘artificiais’ para consumo ocasional e em quantidades moderadas” defende Samantha. Aprenda a seguir a não se deixar enganar pelo rótulo ou pela aparência dos produtos:

0% de gordura trans. Será mesmo?

A Anvisa obriga a declarar na tabela nutricional a quantidade dessa gordura que é prejudicial ao coração, mas considera não significativa uma quantia menor ou igual a 0,2g por porção. Isso quer dizer que o fabricante pode declarar "zero" ou "não contém" na tabela nutricional de um produto que contém gordura trans, sim, naquela porção considerada não significativa.

Leia: Anvisa detecta excesso de sódio e gordura trans em alimentos

Por isso é importante olhar a lista de ingredientes. Se nela aparecer escrito “gordura vegetal hidrogenada” é porque o produto tem gordura trans. Algumas empresas utilizam o termo "gordura vegetal", não especificando o tipo – infelizmente, sem essa especificação, não é possível saber se é trans ou não.

Rico em fibras x fonte de fibras

A diferença sutil da palavra “rico” para “fonte” de fibras é nada sutil para o consumidor: essa simples troca de palavras significa que o primeiro produto pode ter pelo menos o dobro de fibras em 100g quando comparado ao segundo. A Anvisa determina que, para um produto ser considerado fonte de fibras, ele deve apresentar no mínimo 3g de fibras em 100g do produto. Para ser considerado rico em fibras, deve ter pelo menos 6g em cada 100g.

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Mas a diferença não para por aí. Também é preciso prestar atenção ao tipo de fibra utilizada – se são fibras naturalmente presentes nos ingredientes ou se são acrescentadas ao produto industrialmente. As nutricionistas citam como exemplo os pães: “muitas vezes, para aumentar o teor de fibras, se acrescenta inulina, uma fibra extraída industrialmente das raízes da chicória e da cebola, em vez de o pão ter fibras advindas de ingredientes integrais, como farinha de trigo integral, grão de centeio, semente de linhaça”.

Light x diet

Com certeza ainda existe confusão em relação aos dois termos. A palavra light, segundo a Anvisa, deve ser utilizada em alimentos produzidos de forma que sua composição tenha a redução de pelo menos 25% do valor calórico ou de algum nutriente (sódio, gordura, colesterol e açúcar, por exemplo) quando comparado ao produto tradicional. Do ponto de vista de uma dieta equilibrada ou para emagrecimento, até faz sentido o consumo de determinados produtos light, mas é bom ter cuidado: cada produto light tem a sua redução específica, então é preciso conferir se o ingrediente reduzido é o que você que reduzir na dieta.

“É importante fazer a comparação para ver se a troca realmente vale a pena”, diz Carolina.

Leia mais: Como fazer boas escolhas no supermercado

Já o termo diet só pode ser usado em alimentos especialmente formulados ou processados para atender as necessidade de pessoas em condições específicas. É o caso dos alimentos sem açúcar (para os diabéticos), sem proteínas (para portadores de determinadas doenças) ou sem sódio (para hipertensos). Nessa classe de alimento, as nutricionistas fazem um alerta: apesar de não conterem o nutriente indesejado, eles podem apresentar outro nutriente em grande quantidade para compensar o sabor. Um exemplo clássico é o chocolate diet, que apresenta uma elevada quantidade de gordura para agradar ao paladar e compensar o fato de não conter açúcar. Nesse caso, o produto seria totalmente contraindicado para uma pessoa que deseja apenas emagrecer.

Natural x industrializado

O alimento natural será sempre melhor do que a versão industrializada, porque é possível controlar o sabor, o tipo de preparo e a textura final dele. Mesmo assim, nem todo mundo tem tempo ou disposição para cozinhar em todas as refeições do dia. Felizmente hoje já é possível encontrar opções industrializadas de macarrão, doce de frutas, queijo, iogurte, suco de frutas e até feijão que são boas alternativas aos naturais.

Leia: Cuidado com as calorias líquidas

Para isso, alerta a dupla de nutricionistas, é obrigatório prestar atenção às letrinhas pequenas dos ingredientes e olhar a tabela nutricional. Os produtos mais próximos do natural são aqueles com uma lista pequena de ingredientes e sem o que costumamos chamar de ‘antes’ – estabilizantes, corantes, conservantes, emulsificantes e por aí vai.

“Assim, por exemplo, em vez de optar por um molho ou extrato de tomate pronto (muitos contêm açúcar, sal e outros aditivos), dá para fazer um molho com os tomates enlatados inteiros e sem pele, uma alternativa mais saudável”, orientam as nutricionistas.

Veja a seguir alguns alimentos que parecem saudáveis, mais podem comprometer a dieta e, em alguns casos, até mesmo a saúde:


O que você deve observar sempre nos ingredientes dos produtos industrializados:

As quantidades de ingredientes são apresentadas sempre da maior para a menor quantidade, ou seja, se o primeiro ingrediente da lista é açúcar, melhor procurar uma alternativa mais saudável. O mesmo vale para um produto que se diz integral, mas cuja lista de ingredientes começa com farinha refinada.

Leia primeiro as letras pequenas do verso da embalagem. Isso evita a compra de um produto com a alegação de 0% de gordura trans na frente e um “rico em gordura saturada” escondido na parte de traseira da embalagem, por exemplo.

Fuja dos produtos que têm uma lista enorme de aditivos alimentares (estabilizantes, corantes, conservantes, emulsificantes, etc.)

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