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Embora seja mais saudável preparar as refeições em casa ou ir pessoalmente ao restaurante, pedir comida pelo telefone ou em sites específicos, com alguns cuidados, pode ser nutritivo

Se optar por salada, peça tudo em recipientes separados para o molho não encharcar as folhas
Thinkstock/Getty Images
Se optar por salada, peça tudo em recipientes separados para o molho não encharcar as folhas

Em “tempos modernos”, como diria a vovó, ninguém mais tem tempo para nada. A sabedoria do século 20, no entanto, tem fundamento: com a correria do dia a dia, muitos optam por pedir comida pronta em restaurantes e comer na mesa do trabalho, ou por cansaço de cozinhar em casa. O resultado, não raro, é perda de saúde e ganho de peso. Ser saudável comendo fora, no entanto, não é impossível, basta observar as dicas que nutricionistas deram ao iG .

Segundo a nutricionista e coordenadora do curso de gastronomia do IBMR, Ana Gonçalves, a primeira coisa a se observar é o lugar em que vai se pedir comida.

“É preciso descobrir quais são os restaurantes disponíveis perto da casa ou do trabalho e quanto tempo demora para o alimento sair do restaurante e chegar no local de destino”, conta. “O ideal é que se vá ao restaurante e conheça as instalações e o cardápio todo. Com isso, dá para conhecer o ambiente em que a comida é preparada, se é comida limpa. Tem que se preocupar com segurança alimentar”, alerta.

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A partir de então, é necessário investigar, seja pessoalmente ou por telefone, o tamanho das porções que serão enviadas. “Quando você pede comida em casa, o cardápio é imenso, mas não estamos vendo o prato. Acabamos aceitando o que oferecem, não conseguimos fazer as combinações que gostaríamos, como acontece quando estamos em um restaurante self-service. Pode ser uma surpresa boa ou ruim”, diz. “Óbvio que o restaurante vai oferecer as opções mais caras e nem tão naturais ou saudáveis. Carboidratos dão mais lucro”, diz.

Tabela nutricional

Flávio Viaboni, nutricionista da Nova Nutrii , explica que é uma boa ideia pedir a tabela nutricional do local. “É uma lei estadual que obriga os estabelecimentos a fornecer informações sobre os alimentos preparados”, diz, sobre a lei que está em implantação. Entretanto, não são todos os lugares que se adaptaram ainda.

A tabela nutricional ajuda a entender quão calórico é o prato, a quantidade gorduras, quais são os ingredientes usados na preparação, facilitando a vida dos alérgicos a alguns compostos, hipertensos, portadores de outras doenças crônicas, ou simplesmente de pessoas que não gostariam de ingerir calorias ou gorduras extras.

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Ana recomenda cautela com alguns ingredientes. “O ideal é pedir alimentos com o menor teor de gordura possível, assim tem a possibilidade de ser mais saudável”, diz. “Não pedir frituras, porque chega mole, horrorosa e fria. Não é saudável e nem bonito”, brinca ela.

Empanados também não fazem parte dos alimentos recomendados. “Com certeza o empanado virá mole e não estará mais crocante, além de ser altamente gorduroso”, diz.

Gratinados, por usar muito queijo, aumentam o valor calórico das refeições. “Além disso, se for aquecer não vai ficar bom”, diz.

Segundo ela, as melhores opções, tanto saudáveis como para o transporte, é pedir grelhados. “Mas não se deve pedir bem passado, mas sim ao ponto. Se chegar frio, é só deixar um minuto no micro-ondas, que não vai perder a textura”, diz. “Alimentos que venham molhadinhos são os melhores, pois usam menos gorduras e dá para aquecer em casa ou no trabalho”.

Molhos de tomate, hortaliças, berinjela e shitake são mais saudáveis, diz Ana. “Quando for pedir salada, no entanto, é melhor pedir tudo separado e montar o prato na hora”. O cuidado é para evitar que o tempero pode encharque as folhas e elas deixem de ser crocantes.

O tamanho das porções deve ser questionado, segundo Viaboni. “Pergunte para quantas pessoas é feito o prato. Além disso, quanto pesa o prato. Um quilo? Melhor trocar essa opção”, aconselha.

O nutricionista admite, no entanto, que é difícil saber essas informações quando se entra em sites para pedir comida. “Nem sempre o que está lá é o que virá para sua mesa. Tem que pagar para ver, explorar bastante. Infelizmente”.

Antes condenadas, a coordenadora do curso de gastronomia do IBMR diz que atualmente há ótimas opções saudáveis de comidas congeladas. “Inúmeras empresas vendem comidas resfriadas ou congeladas”, diz ela. Basta observar se a combinação é saudável. “Aí, é só finalizar no forno ou micro-ondas”.

A disposição de um prato saudável, segundo Viaboni, é simples. “Basta dividir um prato em quatro partes. Em uma, os cereais e carboidratos, como o arroz. Na outra, as leguminosas, como o feijão, a lentilha ou o grão de bico. Na terceira parte, uma proteína, como carnes e ovos. Na última, por fim, legumes e verduras”, resume.

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