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Kall Medrado chegava a comer em fast food quatro vezes ao dia; após transformar a própria casa em uma espécie de spa, ela perdeu mais de 50% de seu peso

Kall Medrado, ex-participante do "The Voice" em 2014, competição musical da Globo, já enfrentou muito mais do que as emoções que o programa provocou em sua vida. Dona de uma voz potente e límpida, ela conta que no passado era obesa e tinha dificuldades de ter mais visibilidade por causa de preconceitos com o seu peso.

Em 2008, quando chegou a pesar 150 quilos, foi em busca de ajuda médica. Duas opções, então, foram dadas a ela: cirurgia de redução do estômago ou dieta rigorosa. Ela optou pela dieta e chegou a perder 80 quilos.

“Eu e minha família resolvemos pesquisar alguns métodos de emagrecimento que realmente fossem um tratamento para a obesidade”, diz. “Fiz um acompanhamento de choque com nutricionista, e isso não envolveu só a mim, mas outros profissionais e toda a minha família. Fiquei um ano sem sair de casa, fazendo dieta. Perdi bastante peso”, conta ela.


“Optamos por eu não sair de casa, de fazer a minha casa uma clínica de reabilitação. Meu vício não era nada ilícito, era a comida. Esse é o grande problema da obesidade”, conta ela.

No período em que passou reclusa, aproveitou para ler muito e fazer composições.

Comia em tudo o que você pode imaginar, em triplo. Sentava em um restaurante e pedia dois de cada item do cardápio. Tomava um refrigerante de dois litros em uma refeição, tinha potes de jujubas e bombons na cabeceira”

Kall conta que os dois primeiros meses da reeducação alimentar foram apenas de desintoxicação. “É um processo em que você dá um choque no organismo, para que as dietas comecem a fazer efeito”, explica.

Durante o ano em que se dedicou completamente a perder peso, Kall teve acompanhamento de nutricionistas, psicólogos e profissionais que faziam alongamento, para que o seu corpo pudesse acompanhar a perda de peso.

Kall conta que chegava a comer quatro vezes ao dia em redes de fast food. “Comia em tudo o que você pode imaginar, em triplo. Sentava em um restaurante e pedia dois de cada item do cardápio. Tomava refrigerante de dois litros em uma refeição, tinha potes de jujubas e bombons na cabeceira”, conta ela.

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“Costumo comparar o vício em comida com quem é viciado em cocaína. Quanto mais usa, mais se sente melhor, até que acontece a overdose que, no caso da obesidade, é o limite, e aí começa a ter problemas”, detalha ela. “Tomei as rédeas e controle da minha vida.”

Início difícil

Para que Kall não caísse em tentação, a família da cantora retirou todo e qualquer tipo de comida de casa. “Não tinha um grão de arroz em casa, para eu não ter a possibilidade de ‘roubar’, de pegar comida escondida. Só me alimentava com as comidas receitadas pela nutricionista, que minha mãe já trazia prontas.”.

O início da dieta, no entanto, debilitou Kall. “Sofri demais, as primeiras semanas foram muito ruins, porque precisei fazer uma dieta de baixa caloria. Doía sentir fome, tinha dor de cabeça e enjoo e ficava fraca. É muito ruim”, diz Kall. “Por mais que soubesse, na minha cabeça eu não entendia porque tinha de passar por aquilo. Precisei muito da família junto, apoiando”, detalha.

Kall trocou o fast food por comida de qualidade e em quantidades moderadas. “Na primeira dieta, precisei repor cálcio, ferro e proteína”, diz. “Comia fígado e grelhados, depois salmão e folhas. Minha dieta foi bem diferente de uma dieta de pessoas já saudáveis.”

As pessoas não olhavam a minha voz, a minha interpretação ou composições. Olhavam primeiro o meu estado físico. Hoje tudo continua o mesmo, mas meu físico mudou e isso fez com que eu deixasse de ser invisível para as pessoas”

Ela conta que a mudança de hábitos não foi nada fácil. “Fiquei muito irritada, até um pouco antissocial. Mesmo sabendo que as pessoas estavam me ajudando, eu achava que não.”

Um ano depois, Kall voltou a sair de casa

“Depois de um ano, voltei a sair. Parecia que estava voltando para um mundo novo. As músicas tinham mudado, as pessoas, os lugares e eu também tinha mudado”, lembra.

“As pessoas não olhavam a minha voz, a minha interpretação ou composições. Olhavam primeiro meu estado físico. Hoje tudo continua o mesmo, mas meu físico mudou e isso fez com que eu deixasse de ser invisível para as pessoas”, emociona-se, lembrando o preconceito que sofreu no passado. 

“Mesmo saindo da obesidade mórbida, ainda sou gordinha, mas hoje as pessoas estão encarando como uma coisa normal”, diz a ex-participante do The Voice.

Antes do tratamento de choque, Kall sofria com asma, insuficiência respiratória, refluxo gastroesofágico, problemas articulares, dores na coluna, taquicardia e pressão alta. Hoje, todos esses problemas desapareceram.

Com 1,70 de altura, a cantora que vive em Salvador continua comendo saudavelmente, malhando com profissionais e conta que pretende eliminar mais peso.

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