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Sozinhos, eles não garantem necessidades diárias de nutrientes

Alimentos enriquecidos podem ser utilizados como complemento, mas não devem ser encarados como única fonte de nutriente
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Alimentos enriquecidos podem ser utilizados como complemento, mas não devem ser encarados como única fonte de nutriente
Unir praticidade e boa alimentação tem sido uma preocupação constante da população. Com essa demanda em alta, as indústrias alimentícias correm para lançar seus produtos enriquecidos ou fortificados com nutrientes que são a vedete da vez, como vitamina D , cálcio, ômega 3 e ferro.

Ainda não existem levantamentos sobre quantos desses produtos foram lançados nos últimos anos, mas basta uma rápida olhada pelas prateleiras dos supermercados para encontrar leite, iogurte, farinha, bolacha e afins com esse rótulo.

Para que possam ostentar o título, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determina que os alimentos enriquecidos devem fornecer, na porção diária ingerida, pelo menos 60% da quota recomendada para adultos. A adição de até 100% a mais de vitaminas é permitida, com exceção da vitamina D, para compensar as perdas eventuais decorrentes do tempo de armazenamento.

As promessas de suprir as necessidades diárias de nutrientes em poucas porções são tentadoras e conseguem convencer consumidores. A nutricionista Fernanda Granja acompanha alguns de seus pacientes na hora da compra, quando a preferência por esses produtos fica ainda mais clara.

“Se em um rótulo estiver escrito enriquecido e no outro não, mesmo os dois sendo equivalentes, as pessoas optam pelo primeiro”, relata. “O marketing dos alimentos influencia o consumo”, avalia.

Mas será que eles realmente são capazes de cumprir o que prometem? A resposta ainda é controversa.

“O importante é que o alimento preserve o que usou de matéria-prima. Por exemplo, se o alimento é de queijo, deve conter queijo, e não somente um aromatizante”, avalia Antonio Hebert Lancha Junior, professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Laboratório de Nutrição e Metabolismo Aplicados à Atividade Motora.

Fernanda Granja prefere os alimentos naturais e recomenda evitar os industrializados. “O enriquecido terá conservantes. Eles viram toxinas dentro do organismo e podem atrapalhar outras vias metabólicas”, afirma. Além disso, o excesso de um determinado nutriente pode desregular o funcionamento do organismo.

“Se o consumo não for feito de maneira balanceada, o nutriente pode ser excretado ou, em casos mais graves, se depositar nas articulações, por exemplo. O excesso de cálcio é tão perigoso quanto sua falta”, alerta.

Sem milagres

Os alimentos enriquecidos não têm a força necessária para garantir a dose diária de cálcio ou vitamina D, por exemplo, se não forem acompanhados de fatores como bom ambiente intestinal e realização de exercícios físicos com regularidade. Afinal, não basta ingeri-los, é preciso garantir que sejam absorvidos corretamente pelo organismo.

Além de funcionar bem, o intestino deve conter bactérias – inerentes a ele – em boas quantidades. Quem garante esses níveis é o consumo regular de frutas e verduras. “Com a opção dos superalimentos, a tendência é que as pessoas não comam corretamente, porque têm a falsa impressão de consumir tudo o que precisam por meio dos industrializados”, alerta Granja.

O sol é o grande aliado para a síntese da vitamina D . No caso do cálcio, a atividade física é essencial nesse processo. “Para incorporá-lo ao organismo, é preciso expor-se a atividade física, que será um estímulo para que isso aconteça”, afirma Lancha Junior. O professor indica 45 minutos de exercícios quatro vezes por semana.

Praticidade a toda prova

A escolha realizada na gôndola também tem influência da praticidade. “Para alcançar a quantidade diária de cálcio, é necessário consumir quatro xícaras grandes de brócolis ou três copos de leite mais uma porção de queijo”, afirma a nutricionista Camila Freitas. A tarefa, nada fácil, pode ser facilitada com os superalimentos, desde que observadas as condições para sua absorção.

Para Fernanda Granja, uma alimentação equilibrada ainda é mais eficiente. “Se o paciente precisa de cálcio, ele pode comer sementes de girassol, de gergelim, fazer uma farinha para ser adicionada na comida. Se precisa de ômega 3, deve comer peixe. E a recomendação são de 4 porções de frutas por dia e um prato de salada”, afirma.

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