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Isso pode explicar a propensão de algumas pessoas a doenças como obesidade e câncer de intestino, dizem cientistas

Alimentação: bactérias variam de acordo com a dieta e isso tem tudo a ver com a saúde
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Alimentação: bactérias variam de acordo com a dieta e isso tem tudo a ver com a saúde
Você é o que você come – especialmente quando se trata dos micróbios que vivem no seu intestino.

Uma nova pesquisa mostra que pessoas que se alimentam com uma dieta rica em gorduras e proteína animal têm um certo grupo de bactérias habitando o trato digestivo, enquanto as que se alimentam mais a base de vegetais, têm outros grupos de micróbios atuando no mesmo local.

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O que isso significa para a saúde humana ainda é incerto. Mas há evidências crescentes de que a flora bacteriana que vive no intestino pode desempenhar um papel importante na saúde, provavelmente contribuindo para o desenvolvimento da obesidade e de outras doenças, disseram pesquisadores. Os resultados do estudo foram publicados esta semana na revista Science.

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No estudo, pesquisadores pediram a 98 adultos norte-americanos saudáveis e não-obesos para informar sobre a sua dieta habitual e sobra o que comiam na semana antes de fornecer ao estudo uma amostra de fezes. De cada amostra,os pesquisadores isolaram o DNA das bactérias presentes.

A análise mostrou que os participantes podiam ser geralmente agrupados em duas categorias, ou “enterotipos”, com base na prevalência de certas espécies de bactérias no intestino.

“Observamos que as pessoas que consumiam mais proteína animal e gordura se encaixaram no enteroptipo no qual as bactérias prevalentes eram Bacteroides, enquanto aqueles que tinham uma dieta rica em vegetais ficaram no enterotipo caracterizado pela prevalência das bactérias Prevotella”, afirmou James Lewis, professor de medicina e epidemiologia na Escola de Medicina de Perelman da Universidade da Pennsylvania (EUA).

Em um segundo experimento, os pesquisadores designaram 10 participantes, todos classificados no grupo Bacteroides, para ficar em um laboratório de pesquisa durante 10 dias. Eles foram divididos em dois grupos que foram alimentados com uma dieta idêntica e um montante idêntico de calorias, com uma exceção: um grupo foi colocado numa dieta rica em gorduras e pobre em fibras, enquanto o outro foi alimentado com uma dieta pobre em gordura e rica em fibras.

Veja: Você é  que você come

A mudança na dieta teve impacto nas quantidades de bactérias dentro do intestino, segundo o estudo, mas não o suficiente para mover o grupo Bacterioides para o grupo Prevotella. Isso sugere que os hábitos alimentares de longo prazo, em vez dos de curto prazo, têm um grande impacto sobre a microbiota intestinal, disse Lewis.

O próximo passo dos pesquisadores é conseguir um melhor controle sobre como as bactérias que habitam a flora intestinal podem influenciar o desenvolvimento de doenças, disse Justin Sonnenburg, professor-assistente de microbiologia e imunologia da Escola de Medicina da Universidade de Stanford. Ele elogiou os pesquisadores por serem capazes de correlacionar enterotipos específicos com a dieta humana.

Apesar de ninguém ainda ter comprovado uma relação de causa e efeito, os pesquisadores já demonstraram relações entre a flora alterada e o desenvolvimento de muitas doenças e condições, incluindo obesidade, doença inflamatória intestinal , síndrome do intestino irritável e, potencialmente, câncer colorretal .

"O que é certo é que os micróbios do intestino desempenham um papel significativo – e subestimado – na saúde humana", acrescentou Sonnenburg.

Uma teoria relativamente bem aceita entre os especialistas é de que o sistema imunológico humano pode reagir a determinadas bactérias no intestino, provocando uma resposta inflamatória que poderia contribuir para diversas doenças, explica Lewis.

“Há também outra linha pesquisa estudando até que ponto as bactérias que vivem em nosso intestino estão relacionadas ao nosso risco de nos tornarmos obesos, talvez influenciando mais ou menos a eficiência do corpo para absorver nutrientes”, disse ele.

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Sabe-se que as bactérias que vivem no intestino nos ajudam a obter energia partir dos alimentos que comemos. Se elas não são realmente boas nisso, algumas pessoas podem estar recebendo mais calorias de um alimento do que outras, ele teorizou.

Estudos anteriores em ratos mostraram que se você transplanta bactérias dos intestinos de um animal obeso para um não obeso, o segundo vai se tornar obeso.

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“A grande questão que surge a partir deste trabalho é: será que mudança a longo prazo da dieta é capaz de mover alguém de um enterotipo para outro?” questionou Sonnenburg.

“Este estudo sugere que a mudança de curto prazo na dieta provavelmente não vai funcionar e pode exigir uma mudança em longo prazo na dieta e no estilo de vida.”

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