Tamanho do texto

Nova pesquisa do IBGE mostra que não. Renda aumenta o consumo de frutas e verduras, mas também de alimentos gordurosos

João Evangelista Soares, 53 anos, come arroz, feijão e carne todos os dias, mas a falta de alface e tomate no prato faz com que o manobrista classifique como "péssima" a qualidade da própria alimentação.

Já a administradora Fabiana de Souza, 23 anos, ignora o trio indispensável para Soares, mas não dispensa frutas e saladas do cardápio diário. Ela, porém, não resiste ao chocolate após o jantar. Por causa do doce – e da falta de disciplina para se alimentar – Fabiana acredita que "horroroso” é o adjetivo mais cabível para classificar suas refeições.

João e Fabiana (ele ganha menos de R$ 1.100 mensais; ela tem renda superior a estes dígitos) acertam ao classificar como ruins suas dietas e confirmam as estatísticas encontradas por uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Chamado de Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, o estudo foi divulgado nesta quinta-feira, dia 28, e mostra que ganhar salário maior não significa enriquecer a qualidade da alimentação.

Faça o teste e descubra se a sua alimentação ameaça o coração

Os resultados foram divididos por faixa-etária, sexo e renda, com base em informações coletadas em todas as regiões do País (foram quase 14 mil domícilios pesquisados entre os anos 2008 e 2009). Ao mesmo tempo em que os mais abastados financeiramente comem mais frutas, verduras, leites e derivados, eles também capricham mais no junk food e outros itens prejudiciais à saúde, como cerveja e destilados.

Já as pessoas com menor renda, consomem em maior quantidade vários itens considerados como parte de uma dieta saudável, como arroz com feijão, peixe fresco, peixe salgado e carne salgada. Esta classe econômica, por exemplo, consome o dobro de batata-doce (um carboidrato considerado do bem) – do que os com renda maior. Já quando a avaliação é sobre cereais e pães integrais (ótimos para a saúde cardiovascular), os mais ricos consomem 8 vezes mais.

Sobreviva ao restaurante por quilo e faça escolhas saudáveis

Um total de 1.121 itens alimentares foram citados pelos participantes e a qualidade nutricional consumida pelos brasileiros também foi avaliada. Como há ausência de grãos integrais e hortaliças no prato dos que têm menor renda e excesso de doces, pizzas e refrigerantes na dieta de quem tem salário maior, o resultado é que o Brasil foi reprovado na qualidade nutricional como um todo. Faltam ferro, vitaminas, cálcio e fibra para os brasileiros. Sobram açúcares, gordura e sódio .

Veja a comparação do consumo de alimentos entre os mais ricos* e mais pobres**

*renda acima de R$ 1.069
** renda entre R$ 296 e R$ 571

    Leia tudo sobre: dieta
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.