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Pesquisa feita na Califórnia (EUA) com 28 participantes que cortaram 25% de sua ingestão calórica quer responder a essa pergunta

A ciência já mostrou que regimes alimentares que beiram a inanição podem prolongar a vida de diversos animais – de camundongos a macacos.

Mas, poderia uma dieta drástica aumentar também a longevidade do homem e, em caso afirmativo, seriam estes anos extras também saudáveis e felizes?

Pesquisas recentes conduzidas por cientistas da Universidade de Washington revelaram que pessoas que reduziram o consumo calórico apresentaram temperatura corporal interna mais baixa. Como esta é a temperatura na qual todas as funções corporais podem operam em eficiência máxima, para alguns pesquisadores, a ligação é aparentemente positiva.

Leia a entrevista com Eric Ravussin, pesquisador do tema

Trent Arsenault, engenheiro de 35 anos que vive em San Francisco, certamente espera que sim.
Desde o ano 2000 ele segue uma dieta de restrição calórica severa, consumindo diariamente apenas 1.800 calorias, quantidade 25% inferior ao consumo normal de um homem de seu porte – 1.85cm de altura e 75 quilos.

Desde que iniciou a dieta restritiva, ele já enxugou 30 quilos e atualmente tem um Índice de Massa Corporal (IMC) de 19 – sendo que uma pessoa com IMC de 18 é considerada subnutrida. A composição de gordura de seu corpo é de apenas 10%.

Calcule seu IMC

Arsenault é também um dos 28 participantes do primeiro ensaio clínico de longo prazo que irá analisar a restrição calórica extrema em humanos e seus efeitos sobre a longevidade e a saúde. Ele foi recrutado com a ajuda da Sociedade de Restrição Calórica, organização internacional que conta com milhares de membros.

O estudo, conhecido como CRONA (Sigla em inglês para Estudo da Restrição Calórica com Alimentação e Envelhecimento Ideais), está sendo realizado na Universidade da Califórnia, em San Francisco, onde participantes de diversos estados americanos, Inglaterra e Japão irão passar por uma bateria de exames – dentre eles, testes cognitivos, avaliação de medidas corporais e visitas a uma câmara em forma de ovo que mede a composição de gordura corporal.

Os participantes também responderão a questionários sobre diversos temas, que vão desde o histórico médico e hábitos alimentares até padrões de sono e níveis de estresse.

“Este é um paradoxo interessante, pois a restrição calórica em animais parece ser a fonte da juventude, mas todos os meus trabalhos anteriores realizados com humanos não mostraram resultados tão bons”, disse Janet Tomiyama, psicóloga acadêmica da Universidade da Califórnia e principal investigadora do estudo.

Os estudos realizados com animais não mostraram dados claros sobre o estado de saúde dos mesmos.
“Em relação à longevidade, os dados dos estudos com animais parecem bons, mas o que realmente não sabemos é se eles estão vivendo em boa saúde”, disse Heidi A. Tissenbaum, professora da Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts.

“E as pessoas, estão felizes? Ou elas se sentem restringidas o tempo todo?”, ela questiona.

Leia: A dieta dos países magros

Além dos níveis de colesterol e de outros indicadores de saúde, os investigadores irão também medir a extensão dos telômeros – partes do DNA que, quando encurtadas, aparentemente têm uma relação com problemas de saúde relacionados à vida mais curta.

Dentre outros aspectos, o estudo irá analisar mudanças de personalidade em pessoas com restrição calórica, em comparação àquelas que seguem uma alimentação normal ou às pessoas acima do peso. Serão também avaliados a habilidade cognitiva, o controle do impulso e como gerenciamento do estresse.

A maioria dos participantes do estudo é do sexo masculino (Assim como grande parte das pessoas que optam pela restrição calórica severa), de bom nível educacional e de meia-idade. Os resultados da pesquisa levarão décadas para serem revelados, mas Arsenault acredita já percebeu algumas diferenças.

Ele conta que não pega mais gripes ou resfriados, tem energia de sobra e não teve nem o desejo sexual nem a fertilidade afetados pela dieta . Na verdade, desde que iniciou a restrição calórica ele já é pai de pelo menos 15 crianças através de um banco de sêmen.

Ao contrário de muitas pessoas que seguem este tipo de dieta , Arsenault não foi impulsionado por temores em relação à saúde na meia-idade para entrar em ação. Aos 25 anos, ele se deu conta de que gostaria de focar na carreira, deixando casamento e filhos para mais tarde.

“Eu queria me manter com uma aparência decente para que 10 anos mais tarde pudesse me casar e ainda ter saúde suficiente para aproveitar a vida com meus filhos”, ele explica.

O estudo é financiado por três instituições: A Fundação Appleby, a Robert Wood Johnson Foundation Health & Society Scholars e a Universidade da Califórnia. Os pesquisadores Elizabeth Blackburn, Elissa Epel e Jue Lin são também os fundadores da Telome Health Inc., empresa que está desenvolvendo os aplicativos de biologia telomérica para o aprimoramento da saúde.

* Por Amanda Gardner

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