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Número de mortes em acidentes de trânsito diminuiu em 17 estados após a implantação da lei, segundo o ministério da Saúde

A implantação da Lei Seca no Brasil em junho de 2008 representou uma diminuição significativa do número de mortes provocadas por acidentes de trânsito no País. No período de 12 meses após a vigência da Lei, em comparação aos 12 meses anteriores, houve uma redução de 6,2% no número de óbitos - o total de mortes caiu de 37.161 para 34.859 (2.302 a menos).

Os dados fazem parte do balanço dos dois anos de operação da Lei Seca em todo o Brasil feito pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na tarde desta sexta-feira (18), no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. Na ocasião também foi lançado o projeto “Vida no Trânsito”, uma ação global com a participação de dez países.

O Rio de Janeiro foi o Estado que melhor apresentou resultados com a operação Lei Seca, com 32% a menos de mortes. Mas houve queda no número absoluto de óbitos em outros 16 estados: Espírito Santo (-18,6%), Alagoas (-15,8%), Distrito Federal (-15,1%), Santa Catarina (-11,2%), Bahia (-6,1%), São Paulo (-6,5%), e Paraná (-5,9%). É importante observar que, segundo o ministério, os dados de mortalidade para 2008-2009 ainda são preliminares e, portanto, estão sujeitos a revisão.

“A campanha estadual custa R$ 4 milhões por ano. Quando me perguntam por que temos conseguido números tão expressivos, eu respondo que é porque temos cumprido a Constituição”, afirmou Carlos Alberto Lopes, porta-voz da operação Lei Seca no Estado do Rio. São 177 funcionários além de 30 cadeirantes que atuam na conscientização dos motoristas e na repressão de alcoolizados no trânsito em todo o estado.

Segundo números divulgados nesta sexta-feira, apenas 5,5% dos cariocas se recusam a fazer o teste do bafômetro, metade do que era registrado no começo da campanha. “Não acredito que é uma lei que pegou apenas no Rio. Outros estados também estão reduzindo a partir de uma mudança de comportamento”.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que este é apenas o início de um longo caminho a ser percorrido. “Embora tenha havido redução de mortes no trânsito, ela ainda é lenta. Estamos construindo a educação a partir de uma mudança de comportamento da população”.

“Vida no Trânsito”

Sobre o projeto “Vida no Trânsito”, cinco cidades brasileiras participarão da campanha, que é organizada junto a OMS (Organização Mundial da Saúde). São elas: Campo Grande, Palmas, Teresina, Belo Horizonte e Curitiba. “A campanha visa a subsidiar o fortalecimento de políticas de prevenção de acidentes no trânsito. A coordenação nacional será do Ministério da Saúde junto a órgãos estaduais”, explicou o ministro Temporão.

Ainda segundo ele, o Brasil foi um dos países escolhidos para sediar essas estratégias devido ao comprometimento com o assunto. Diego Vitória, representante da organização Pan-americana da Saúde, lembra que apenas outro país latino, o México, integra a campanha. “No Brasil foram escolhidos cinco municípios bem variados. O Rio não está incluído porque não está no topo do ranking de mortes no trânsito”.

Também presente ao evento, o deputado federal Hugo Leal, autor da Lei Seca, lembrou que todas as campanhas devem ser permanentes. Ele comparou o combate ao álcool no trânsito à Seleção Brasileira na Copa. “Aproveitando a Copa do Mundo, a lei é como a Seleção do Dunga: está longe de ser uma unanimidade, mas não dá pra não torcer por bons resultados”.

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