Tamanho do texto

Medicamento ainda precisa ser testado em humanos e só deve chegar ao mercado em dois ou três anos

Cientistas argentinos desenvolveram uma vacina mais barata contra o papilomavírus humano (HPV), um dos causadores do câncer de colo do útero, doença que mata cerca de duas mil mulheres a cada ano no País, disseram hoje (4) à Agência Efe fontes vinculadas ao projeto.

A aplicação foi realizada "com tecnologia local" e tem um custo menor que as duas vacinas presentes até agora na Argentina, importadas de Estados Unidos e Grã-Bretanha, explicou Gonzalo Prat Gay, diretor do Laboratório de estrutura, função e engenharia de proteínas da Fundação Instituto Leloir, de Buenos Aires.

Os especialistas da fundação e do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) conceberam um modo de produzir a imunização diferente da atual, que foi provado "com sucesso" em ratos, explicou Prat Gay.

"O desenvolvimento foi feito com um método de cultivo mais barato por meio do conjunto químico de proteínas", afirmou o investigador da Fundação Instituto Leloir, onde foram iniciadas as rodadas de conversas com empresas farmacêuticas para que a vacina contra o HPV seja testada em humanos.

Desta maneira, os pesquisadores conseguiram encaixar uma partícula idêntica ao HPV, embora sem informação genética, para o sistema imunológico reagir como se estivesse frente a um vírus e gerar anticorpos, indicaram os pesquisadores.

Prat Gay calculou que "de dois a três anos a vacina poderia estar no mercado porque os teste em humanos levam muito tempo".

"A incidência do câncer de colo do útero se quintuplica em países em desenvolvimento. E é muito difícil que uma vacina cara seja usada, mas, a longo prazo, a existência de outra vacina pode fazer com que as outras reduzam seu preço", avaliou o cientista.

O câncer de colo do útero está entre as dez principais causas de morte de mulheres na América do Sul, segundo fontes de saúde.