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Bactérias resistentes aparecem devido ao uso excessivo dos antibióticos na medicina e agricultura

Três australianos que viajaram para a Índia foram infectados pela bactéria NDM-1, cuja forte resistência aos antibióticos causou alarme na Europa após a detecção de casos no Reino Unido e Bélgica, informaram nesta sexta-feira fontes sanitárias.

Os três casos, incluindo uma paciente que se submeteu a uma operação de cirurgia plástica em Mumbai, são "a ponta do iceberg" do problema, advertiu à agência "AAP" o professor Peter Collignon, diretor do departamento de doenças infecciosas do Hospital de Canberra.

O gene NDM-1 (Nova Délhi metallo-b-lactamase 1), que infectou pelo menos 50 pessoas no Reino Unido e causou em junho a morte de um doente na Bélgica, foi identificado em 2009 em um paciente sueco que tinha sido internado em um hospital indiano.

Na terça-feira passada, a revista científica "The Lancet" publicou um artigo no qual alertava que o aumento das viagens de longa distância contribuiu para a expansão da bactéria resistente, que até agora só tinha sido encontrada em pacientes da Índia, Bangladesh e Paquistão. No entanto, as autoridades indianas negaram que a bactéria tenha sido propagada desde seu país, e qualificaram as informações como "sensacionalismo" e "propaganda maliciosa".

Colligno, especialista em antibióticos, disse que "provavelmente, a bactéria está matando muitas pessoas, mas como isso acontece nos países em desenvolvimento, não há forma de averiguar". O professor, que também é membro da Organização Mundial de Saúde, disse que as bactérias resistentes aparecem devido ao uso excessivo dos antibióticos na medicina e agricultura, e acrescentou que é preciso controlar seu uso para evitar a difusão do NDM-1.

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