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Estudos apontam que os mais velhos podem manter a capacidade aeróbica em alta, realizando a atividade sem ressalvas

Corredores mais velhos podem apresentar bom desempenho no esporte
Thinkstock/Getty Images
Corredores mais velhos podem apresentar bom desempenho no esporte
Para corredores que estão calçando os tênis aos 60 anos ou mais, algumas notícias de incentivo e outras não tão animadoras, de acordo com uma nova pesquisa.

"A boa notícia é que à medida que envelhecemos, mantemos uma boa economia de corrida", disse o chefe do estudo Timothy Quinn, professor associado de ciência do exercício na Universidade de New Hampshire, nos EUA.

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Economia de corrida se refere a quão eficientemente seu corpo utiliza oxigênio em um ritmo específico. Ou seja, quem tem boa economia de corrida gasta menos energia ou precisa de menos oxigênio para uma dada velocidade ou ritmo do que aqueles com economia pobre. Quanto menor esse "custo de oxigênio", mais tempo é possível realizar a atividade.

Quando se trata de custo de oxigênio, Quinn descobriu que corredores acima de 60 anos ''não são diferentes dos corredores de 22, o que é surpreendente”.

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No entanto, com a idade, eles se tornam mais lentos. Baseado em seu estudo com atletas entre 18 e 60 ou mais, o pesquisador diz que essa queda pode ser resultado da perda de força, potência muscular e flexibilidade. E esses declínios podem ser corrigidos, acredita ele.

Para o estudo, Quinn e sua equipe avaliaram 51 homens e mulheres, todos corredores saudáveis. Um grupo foi de 18 a 39 anos, outro de 40 a 59 e o terceiro com pessoas de 60 ou mais. Todos tinham terminado em primeiro, segundo ou terceiro em suas categorias de idade, em eventos de corrida locais. Eles faziam, em média, de 40 a 70 quilômetros por semana.

Entenda como o corpo enfrenta a corrida

Em média, os homens com mais de 60 completavam uma corrida de 5 km em 20 minutos; as mulheres da mesma faixa, em quase 27 minutos.

Para efeito de comparação, a corrida New Hampshire 5K tem registrado o recorde de 18 minutos para homens com mais de 60 e 23 minutos para mulheres. O estudo foi publicado na edição de novembro do periódico Journal of Strength and Conditioning Research.

Além de olhar o consumo de oxigênio de cada corredor, os pesquisadores também testaram a força dos membros superiores e inferiores, flexibilidade e força muscular e seu "VO2 max" – a capacidade máxima de oxigênio.

Nessas áreas, os corredores mais velhos ficaram aquém dos mais jovens.

"O que descobrimos foi que há uma grande diferença na força, especialmente na parte superior do corpo", falou Quinn.

Corredores precisam reforçar a parte superior do corpo, argumenta o pesquisador, porque os braços fornecem uma espécie de cadência, "especialmente correndo ladeira acima”.

A força da parte superior do corpo nos corredores acima de 60 foi cerca de metade da que os grupos mais jovens apresentaram, disse Quinn. Os corredores mais velhos também tiveram metade da flexibilidade dos corredores mais jovens. Menor flexibilidade pode afetar o comprimento da passada e a frequência dos passos, tornando-os por vezes mais lentos. A força muscular do grupo mais velho foi menor também.

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As deficiências podem ser tratadas, acredita Quinn. Treinamento com pesos por meia hora, duas vezes por semana, pode aumentar a força. Exercícios pliométricos – também chamados de treinamento de salto – poderiam ajudar a potência muscular.

Ele ainda sugere alongamento após a corrida, o que poderia ajudar a manter a flexibilidade.

A constatação de que corredores mais velhos mantém sua ''economia de corrida” não surpreende Jeff Galloway, atleta olímpico de 1972, que coordena programas de treinamento para maratonas. Ele escreveu o livro "Corra até você chegar aos 100" e estima que tenha ajudado a formar mais de 50 mil corredores com 60 anos ou mais.

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Galloway fala que não está muito preocupado com a falta de flexibilidade e outros declínios observados no estudo. Corredores de longa distância ainda mais jovensm perdem a flexibilidade, diz ele, citando outros estudos.

Com a idade, Galloway diz, "o corpo encontra formas intuitivas de correr de forma mais eficiente". Por exemplo: os corredores mais jovens têm tendência a saltar, porque têm mais potência muscular. Com a idade e a diminuição da força, os atletas se adaptam correndo mais próximos ao chão, dando mais passos por minuto.

Globalmente, as descobertas de Quinn são boas, diz Galloway. "O conselho que eu dou para quem está na faixa acima de 50 ou 60 é: se você tentar mudar a Mãe Natureza fazendo um trabalho muito intenso, coisas ruins podem acontecer".

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