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Nossa subeditora aceitou o desafio e cumpriu a missão: completou sua primeira corrida de obstáculos. Agora ela mostra todos os detalhes da prova

"Isso vai ser muito divertido! Meu Deus, vou me machucar muito. Ah, parece brincadeira de criança, vai ser engraçado. Medo, muito medo!" Tudo isso passou pela minha cabeça desde que resolvi participar da Xtreme Race, minha estreia em corrida de obstáculos. A prova teria 8k e 16 obstáculos. Até então nunca tinha passado dos 7k na rua ou na esteira. Mesmo assim, treinei e fui.

Aretha Martins, subeditora do iG Delas, ao final da Xtreme Race
Joao Mantovani / Divulgacao
Aretha Martins, subeditora do iG Delas, ao final da Xtreme Race


E quer saber? Foi divertido, me machuquei um pouco, parecia brincadeira de criança em alguns momentos e fiquei com medo em outros, tudo isso junto. Mas cruzei a linha de chegada! 

Ansiedade e amizade

Antes da largada, conversei com alguns participantes e ali veio a mistura de sentimentos. Enquanto tinha gente empolgada, outros davam alertas: "Vá no seu ritmo. Já vi muita gente se machucar, quebrar braço e perna. Vá com calma". 

Entretanto, ali senti que uma palavra resumiria a prova: companheirismo. "Se você tiver dificuldade em algum obstáculo, peça ajuda. Vai ter alguém perto de você", comentou um participante. E foi exatamente assim.

É uma corrida praticamente em grupo. Um espera o amigo passar pelo obstáculo para seguir a prova. Ou quem passou primeiro estende a mão para "resgatar você".  Larguei com um grupo de amigos de São Paulo e fomos juntos até a linha de chegada. Eles seguraram rede para eu passar, me "içaram" na rampa e me acompanharam na corrida. 

Galera que correu lado a lado a Xtreme Race: Fabio, Evelyn, Juninho, Jefferson, Diogo, Jalusa e Eder
ig
Galera que correu lado a lado a Xtreme Race: Fabio, Evelyn, Juninho, Jefferson, Diogo, Jalusa e Eder


Medo nº 1: trepa-trepa para adulto

Durante a prova, o primeiro momento de medo foi a travessia da macaca. O obstáculo lembra um trepa-trepa de parquinho infantil, daqueles que se atravessa suspenso pelos braços. Embaixo, uma piscina de lama. Não dava para ter ideia da profundidade. Tentei uma, duas, três vezes e desisti. Fiquei com medo de cair e me machucar, além de tomar um belo banho de lama. Quem não cumpre um obstáculo, cumpre um desafio. Paguei 10 polichinelos e segui na prova. 

Medo nº 2: rampa gigante

A temida rampa de três metros de altura. Resperei fundo, peguei impulso e fui para a corrida. Ao pé da rampa, quando me dei conta da altura, desisti. Aí valeu o companheirismo. Quem estava ao meu lado começou a incentivar para eu pelo menos tentar. Lá fui de novo e escorreguei, mas aí já tinha passado o medo. Peguei impulso, disparei na corrida e tentei mais uma vez. Alcancei a mão de um dos meninos que me esperavam no topo da rampa e consegui. 

Só que precisava descer - e pular de três metros de altura não é nada simples. Pensei um pouco, deixei algumas pessoas passarem na frente e fui. Saltei. Caí em um monte fofo de areia. Senti uma dor no joelho que encheu meus olhos de lágrimas. Mas ok, sobrevivi.

Medo nº 3: o que vem pela frente?

A prova é organizada e o percurso é bem sinalizado. Você não sabe qual será o próximo obstáculo e nem quando vai encontrá-lo, mas sabe qual caminho deve seguir. Porém, alguns obstáculos são mais distantes que os outros e, nesse momento, faltou uma respaldo a mais. Há trechos longos de corrida e, se tiver algum problema, com um pé torcido, pode se sentir sozinho. A dica é não se desesperar porque logo passa alguém da organização de moto, acompanhando os participantes. 

Lama, muita lama

Sim, tem bastante lama. Assim como são vários muros, são várias travessias na lama. E aí é a parte da brincadeira de criança. É so se jogar sem medo de se sujar e brincadeira fica divertida. 

Quase lá

O percurso tem placas que indicam cada quilômetro percorrido. Com todo o cansaço, consegui ver apenas o de 4k e o de 7k. E os dois foram sinais de alívio. O primeiro me deu força para continuar. No começo da prova, mesmo segurando o ritmo da corrida, senti muita dor na panturrilha. Mas pensei: "Já estou na metade. Agora eu não vou desistir. E se desistir, quem vem me pegar aqui, no meio do caminho? Bora lá que eu consigo". Aos poucos, com o corpo mais aquecido, a dor cedeu e me senti bem melhor. Na placa dos 7k estava cansada, mas me sentia bem. E nesse final, você busca energia para acabar. Vale a pena!

Exaustão e superação

A Xtreme Race não é uma prova apenas para atletas, mas requer condicionamento físico. Um ajuda o outro nos obstáculos, mas vale ressaltar que é preciso percorrer 8 k, correndo ou andando. E sem o mínino de treino, os riscos de lesão, como uma distensão muscular ao pular um muro, aumentam. Para a prova, peguei mais pesado nos treinos de estreira e bicicleta na academia, além da musculação. Mas nada que qualquer um não faça. Foram, no máximo, duas horas por dia. 

Estava exausta ao cruzar a linha de chegada e ao mesmo tempo, com um sentimento de superação sem igual. Aquela coisa de adrenalina a mil mesmo. De olhar para trás e ver que era capaz de tudo aquilo. 

No dia seguinte à prova, vieram as dores. O joelho deu uma leve inchada e apelei para bolsa de gelo e anti-inflamatório. Além disso, a parte da frente da coxa ficou dolorida pela corrida. Também ganhei alguns arranhões no cotovelo. No entanto, faria tudo de novo, agora tomando mais cuidado nas descidas de muro e dosando mais a corrida. Quando é a próxima prova mesmo? 

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