Tamanho do texto

Nutróloga diz que a restrição alimentar à base de vegetais e frutas proposta por "A Revolução dos 22 dias" não pode ser seguida por longo prazo: "Como são 20 dias, dá para fazer"

Beyoncé perdeu quase 30 kg após a gravidez seguindo 'A Revolução de 22 dias'
Divulgação
Beyoncé perdeu quase 30 kg após a gravidez seguindo 'A Revolução de 22 dias'

Sempre há uma dieta da moda e, neste ano, uma das que mais deu o que falar foi a "Dieta da Beyoncé". A cantora perdeu quase 30 kg de 2013 até o começo do ano depois de adotar "A Revolução dos 22 dias". A engenheira agrônoma Natália Ferreira contou recentemente ao iG que adotou o regime e perdeu quase 10 cm de quadril e 6 kg no período da dieta

O método criado pelo fisiologista do exercício e personal trainer de Beyoncé e outras famosas, Marcos Borges, propõe passar 22 dias comendo alimentos naturais, como frutas, verduras e vegetais, e deixando de lado o que é de origem animal (carne, laticínios ou ovos) ou industrializado. Para ele, esse é o tempo necessário para mudar os hábitos alimetares de uma vez por todas. 

Entretanto, a dieta divide opiniões. "É uma dieta curta, para se fazer apenas por esse período. Nesse tempo, tudo bem não comer carne ou não beber leite, por exemplo. O corpo tem mecanismo de 'feedback'. Você tem reservas para conseguir ficar 22 dias sem carne. Mas, a longo prazo, a pessoa vai sentir falta e terá necessidade de ingerir vários alimentos", ressalta a nutróloga especialista em obesidade Ana Luisa Vilela. 

Vou emagrecer?

Segundo a médica, quem fizer a dieta vai conseguir emagrecer porque vai ingerir menos calorias. "É uma dieta muito restritiva, com poucas opções. Mas é ótimo comer frutas, verduras e legumes em abundância, como ele sugere. Só que na nossa vida corrida, é complicado conseguir se alimentar apenas disso", analisa. 

"Se tiver fome, não pode comer pão. E comer 10 cenourinhas babies têm menos calorias do que um pão, por isso emagrece. Perde peso porque até come um volume maior, mas com alimentos menos calóricos", compara Ana Luisa. 

'A Revolução de 22 Dias' propõe passar 22 dias comendo alimentos naturais, como frutas, verduras e vegetais, e deixando de lado o que é de origem animal (carne, laticínios ou ovos) ou industrializado
Thinkstock/Getty Images
'A Revolução de 22 Dias' propõe passar 22 dias comendo alimentos naturais, como frutas, verduras e vegetais, e deixando de lado o que é de origem animal (carne, laticínios ou ovos) ou industrializado

Qualidade do alimento

Ela também ressalta que é preciso redobrar os cuidados com a qualidade dos alimentos, já que a dieta de Marco Borges não permite nada industrializado. "Ao tomar um suco pasteurizado, você tem certeza que passou por processos que bloqueou o que pudesse contaminar o alimento ou fazer mal", exemplifica. "Seria ótimo se todo mundo pudesse cultivar sua horta, com seus produtos, mas sabemos que não é assim. Por isso é preciso muito cuidado com a procedência desses alimentos naturais", completa. 

Quantidades diárias

"A Revolução dos 22 dias" tem outras regras, como dividir a alimentação diária em: 80% carboidrato, 10% proteína e 10% gordura. Esse é outro ponto que levanta dúvidas. "Eu não reduziria tanto a proteína, mas como são 20 dias, dá para fazer", opina a nutróloga. 

De acordo com Ana Luisa, uma divisão mais equilibrada seria 60% de carboidrato, aproximadamente 30% de proteína e o restante de gordura. Outros profissionais defendem até o aumento da proteína diária. 

"Carboidrato produz energia e energia é combustível para o corpo. Mas a gordura também é necessária e ajuda, por exemplo, na produção de hormônios. Se tem energia para o corpo, tudo bem, ele vai 'funcionar'. Mas depois de um tempo, se não tem o resto, alguns processos fisiológicos vão ser bloqueados em algum ponto", afirma. 

Com a dieta restritiva, a pessoa vai emagrecer, mas vai sentir falta de nutrientes. "Por exemplo, vai perder peso, mas se ficar muito tempo sem a proteína, não vai produzir massa magra. O corpo que muitos desejam, aquele mais sarado, precisa de mais proteína para desenvolver os músculos", diz a nutróloga. 

Além disso, o método usado por Beyncé pede apenas três refeições por dia. Lanches entre as refeições principais só são permitidos a cada dois dias. "Não gosto muito disso porque incentiva a comer grandes porções. Enquanto está na dieta, como os alimentos permitidos são poucos calóricos, não tem problema. Mas depois, vai ter criado o hábito de comer muito nas refeições e isso pode acarretar um aumento de peso no futuro."

Não adianta ser radical 

Não há fórmula mágica. Ana Luisa Vilela defende a mudança gradual e contínua de hábitos para quem está na luta contra a balança. "Sei o quanto é duro ficar magro", afirma. Ela própria já pesou mais de 100 kg e há oito anos se mantém na casa dos 60. "Se não criar uma rotina, de comer menos e várias vezes ao dia, por exemplo, e gastar o que comer com exercício, não vai se manter magra. Vejo nos meus pacientes. Sempre que tentamos ser radical, até tem resultado no começo, mas volta depois", continua. 

O ideal, de acordo com a especialista, é fazer pequenas mudanças e, aos poucos, mudar os hábitos para chegar a uma alimentação saudável e duradoura. "Quem toma 10 copos de refrigerante por dia não vai conseguir ficar sem. Primeiro muda para um refrigerante light, depois dimuniu a quantidade, então passa para água com gás e limão, até conseguir cortá-lo de vez da alimentação", sugere. 

    Leia tudo sobre: dieta
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.