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Carlos Augusto corria o risco de ficar cego caso o tumor se desenvolvesse mais. Ele fez tratamento, adotou o exercício como estilo de vida e virou corredor de rua

Analista de sistema de Vitória, no Espírito Santos, Carlos Augusto Ribeiro Filho era um típico sedentário. Enquanto a mulher Andressa sempre foi adepta da academia, ele fugia dos exercícios e abusava na alimentação. Guto, como é conhecido pelos amigos, chegou a pesar 122 kg. E o alerta maior veio do médico: um tumor na hipófise.

Antes e depois de Carlos Augusto
Arquivo pessoal
Antes e depois de Carlos Augusto


"Quando se recebe um telegrama desse, ou fica esperto ou está ferrado", afirma. Ele escolheu a primeira opção, mudou de hábitos e, agora, com o tumor controlado e com 35 kg a menos, prepara-se para a estreia na São Silvestre. "Vai ser a celebração de todo o processo", diz. 

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Descoberta do tumor

Guto já apresentava um quadro de obesidade quando começou a sentir muitas dores. Hoje ele encara tudo com bom humor: "Quem é gordinho sempre tem muitas dores". A mulher o levou ao médico depois que ele passou a ter dores fortes nas pernas e pontadas no peito. Após exame de sangue, os níveis de hormônio de Guto estavam bastante elevados e ele foi diagnosticado, em outubro de 2011, com macroadenoma hipofisário, um tumor de hipófise. E o tumor já estava com quase 3 cm. 

Ele ficou desorientado com a notícia, mesmo sendo um tumor benigno. "Quando se toma uma porrada dessa, nem lembra que é benigno. Queriam abrir a minha cabeça", conta. O risco para Guto era alto. O médico disse que ele precisaria passar por uma cirurgia em menos de uma semana. Se o tumor chegasse aos 3 cm, ele corria o risco de perder parte da visão. "Ele iria comprimir o nervo ótico e perderia a lateralidade da visão. Iria acordar cego", explica. 

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O tratamento para o tumor

Apesar do susto com o diagnóstico, ele passou por outros médicos e um deles sugeriu um tratamento com cabergolina. "Antes, a opção de tratamento era o padermol, mas esse remédio dá muito enjoo e geralmente a pessoa não conseguia seguir o tratamento e tinha de operar", diz Guto. 

O tumor fica aqui dentro, tranquilo. É meu segundo cérebro"

Ele se adaptou à cabergolina e o tumor atualmente tem aproximadamente 1 cm. "Não senti nenhum enjoo, efeito colateral zero. O medicamento é oferecido pelo governo, tenho de tomar para sempre, mas levo uma vida normal. Ainda tomo a minha cerveja aos finais de semana", fala. "Quando esqueço de tomar o remédio, tenho minha mulher para lembrar". 

"O tumor fica aqui dentro, tranquilo. É meu segundo cérebro", brinca Carlos Augusto. Ele ainda precisa fazer exames como ressonância, uma vez ao ano, e exame de sangue a cada seis meses para acompanhar o tumor.

Hora de emagrecer

Depois da doença, Guto decidiu que era hora também de mudar o estilo de vida. Em 2012, matriculou-se na academia e partiu para a musculação. "Comecei a emagrecer e isso me motivou. Também sempre quis correr", lembra. 

"Na primeira tentativa de corrida, consegui chegar a 300 metros. Imagina uma bola rolando", diverte-se Guto. Entretanto, ele tinha um objetivo: completar as 10 milhas da Garoto, tradicional corrida em Vitória. "Amigos achavam que era um negócio arriscado. Eles até mandavam e-mail para a minha mulher, preocupados", recorda. Andressa, mulher de Guto, sempre o incentivou.

Primeiro objetivo cumprido: 10 milhas da Garoto
Arquivo pessoal
Primeiro objetivo cumprido: 10 milhas da Garoto


Ele treinou, continuou emagrecendo e passou a fazer uma alimentação mais sudável. "Viajo muito a trabalho e antes, sempre que parava na estrada, comprava duas barras de chocolate. Agora, tomo uma água com gás. Mudei aos poucos, nada radical, e hoje nem sinto tanta vontade de doces", detalha.

Nasce um corredor

Eu esperava tudo nesse mundo, menos que pudesse virar um corredor"

Guto completou as 10 milhas da Garoto em agosto de 2013 em 2 horas e 10 minutos e não parou mais. A corrida faz parte da rotina desse analista de sistema. Ele a família recentemente viajaram para a França e o que ele fez por lá? Uma corrida de 16k entre Paris e Versailles. "Sempre que posso tento conciliar a viagem com a corrida. Eu esperava tudo nesse mundo, menos que pudesse virar um corredor", diz orgulhoso. 

Carlos Augusto ao lado da mulher depois de completar corrida na França
Arquivo pessoal
Carlos Augusto ao lado da mulher depois de completar corrida na França


Aos 45 anos, Guto se mantém com 87 kg e segue firme nos exercícios. "Você passa a vida inteira pesando 30 kg a mais, então, qualquer descuido, engorda uns 3 kg. Sempre fui da comida e do descanso. Manter a atividade física foi decisivo para mim. Hoje faço musculação três vezes por semana, bicicleta duas vezes e corro duas vezes", explica. 

Que venha a São Silvestre

Ele já está com a passagem comprada para vir disputar sua primeira São Silvestre, em São Paulo. Será uma celebração: "São Silvestre é um sonho para todo mundo que começa a correr. Vai ser para comemorar todo esse processo". Boa prova, Guto! 


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