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Eles prometem melhorar a beleza por via oral. Será que funcionam?

Imagine acordar, abrir a prateleira e, no lugar de milhares de cremes encontrar pílulas com ativos que prometem amenizar rugas, dar um sumiço na celulite e preparar a pele para um superbronzeado.

Tamanha praticidade somada ao conceito de que a beleza vem de dentro para fora são os principais atrativos dos nutricosméticos, como são conhecidos os suplementos orais que têm feito a cabeça (e a pele, o cabelo, as unhas...) da mulherada.

Afinal, o que são?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não reconhece o termo nutricosmético e, por outro lado, só denomina de cosmético o produto cujo o uso é tópico. Sendo assim, as cápsulas e sprays da beleza são classificados pela agência como alimentos funcionais ou suplementos alimentares. A definição é compreensível, já que ingredientes como vitaminas, sais minerais e aminoácidos estão presentes nas fórmulas destes modernos promotores da boa aparência – que apostam no papel da alimentação como fonte de beleza.

Apesar de contarem com essa bagagem natureba e serem vendidos sem prescrição médica, a dermatologista Fabiana Salazar Posso, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia – regional São Paulo (SBD-SP), ressalta que esses produtos devem ser utilizados com a orientação de um especialista.

“Alguns nutricosméticos têm derivados de peixes e frutos do mar, que podem causar alergia em pessoas predispostas. Vale lembrar também que muitos deles são compostos por vitaminas e, por isso, precisam ser administrados com prescrição e acompanhamento médico”, exemplifica.

Reforço para o tratamento

Segundo Fabiana, os princípios ativos importantes estão presentes em concentrações adequadas tanto nos dermocosméticos quanto nos nutricosméticos.

“Mas algumas substâncias não são bem absorvidas quando o uso é tópico. Nesses casos, a utilização de um cosmético oral é indicada”, observa. Mas a história não para por aí: a especialista alerta que o produto sempre deve ser associado a outros tratamentos.

Para o dermatologista e presidente da SBD, Omar Lupi, é assim mesmo que os nutracêuticos devem ser encarados: como um importante reforço, e não como única forma de intervenção.

“Para agirem com eficácia, é preciso combiná-los com uma série de ações. Sozinhos esses produtos não fazem milagres”, afirma.

Além de se submeter a outros procedimentos – uso de cremes e técnicas como laser, peelings e preenchimentos são bons exemplos – é importante ter a consciência de que não adianta investir em spray para rejuvenescer a pele e se expor ao sol sem filtro solar ou ingerir cápsulas para a celulite e continuar se alimentando de sorvete, chocolate e biscoito recheado. Portanto, manter hábitos saudáveis, como uma dieta balanceada e prática de exercícios físicos, também faz parte do processo para conquistar e prolongar a conquista do corpo dos sonhos.

O preço do avanço

O valor desembolsado para levar um nutricosmético para casa pode variar bastante, mas uma coisa é certa: deve-se estar preparada para gastar uma boa quantia. De acordo com Célia Kalil, dermatologista e membro da diretoria da SBD, o preço geralmente está relacionado à tecnologia empregada na produção e, quando se trata de produtos importados, à regulamentação de seu uso no Brasil.

É válido ressaltar que nem sempre os nutricosméticos custam mais do que outros produtos com a mesma função. “Os dermocosméticos também são caros. Isso acontece por causa do investimento em pesquisa, que acaba revertido para o consumidor”, diz Fabiana.

A especialista ainda frisa que alguns produtos não têm respaldo científico, já que nem todas as empresas investem pesado em estudos – mais um motivo para procurar um médico antes de se entregar às fórmulas “milagrosas”. Confira na galeria de fotos alguns nutricosméticos que já estão à venda no Brasil.

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