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A ioga que invadiu o circo

Acro Ioga funde acrobacias e entretenimento com a tradicional modalidade de meditação e equilíbrio

Lívia Machado, iG São Paulo

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Foto: Guilherme Campos/Fotoarena

A Acro Ioga trabalha a força, flexibilidade e o equilíbrio

Na Índia, a palavra "ioga" por si só - desacompanhadas de outras combinações - representa toda a versatilidade da modalidade. Porém, ao deixar seu País de origem, a técnica de meditação se aglutina a outros prefixos, para assumir novas formas.

Já aconteceu com a Aquaioga, que transporta alguns exercícios para dentro da piscina. Agora é a vez da Acro Ioga, uma mistura que apresenta a modalidade ao respeitável público, e desafia a meditação em posições nada convencionais ou confortáveis.

Na Europa a proposta já existe há dez anos. No Brasil, chegou em 2007, mas ainda é pouco conhecida. Apenas um estúdio de ioga, em São Paulo, se diz oficialmente mestre na técnica. Entretanto, o número de adeptos, sem senso especifico, pode ser amplo e ilimitado. Em uma rápida busca na internet, é possível encontrar fotos, supostos representantes e variadas definições para a modalidade.

A psicoterapeuta corporal Elaine Lilli Fonge e a terapeuta corporal Mary Alves, do Instituto União, são responsáveis por ensinar acrobacias, respiração, meditação e Thai massagem em um dos poucos estúdios credenciados para transmitir os preceitos da modalidade em São Paulo.

O exercício é feito em dupla e pode ser praticado dentro das tradicionais salas de aula, em parques públicos e até palcos – o interesse de espectadores na Acro Ioga é lúdico. Ao realizar um treino em praça pública, o exercício ganha facilmente platéia e transforma-se em espetáculo.

“Quando pratico no parque no Ibirapuera, em São Paulo, rapidamente as pessoas param para olhar e tirar fotos. É uma arte bonita, que seduz as pessoas”, comenta o microempresário Eduardo Rodrigo Mora, um dos dez alunos da escola paulista.

Ciclista, 45 anos e praticante da Acro Ioga há um ano, ele revela que a intensidade dos exercícios e o desafio dos movimentos potencializam a técnica tradicional. Mas adverte: “É preciso ter conhecimento mínimo de ioga, gostar da técnica para depois investir tempo e treino na Acro.”

A proposta é misturar atividade física, meditação, equilíbrio, força e adrenalina com entretenimento. Para sustentar o exibicionismo é preciso realizar um curso básico de ioga durante seis meses. “O primeiro passo é aprender a técnica, os exercícios tradicionais, para depois evoluir e incorporar as acrobacias”, explica Elaine.

Por ser necessariamente praticada em dupla, escolher o parceiro exige mais que empatia e camaradagem. A compatibilidade de peso entre os aspirantes a acrobatas é essencial, apontam as professoras. “Os treinos são intensos, os exercícios exigem força para sustentar o parceiro em determinadas posições. A dupla pode ter uma diferença de no máximo cinco quilos, para mais ou para menos”, revela Mary.

Músculos fortes

Para especialistas e pupilos, os ganhos são múltiplos e rapidamente visíveis. O corpo é obrigatoriamente torneado pela força - uma espécie de musculação sem halteres. Meditar de ponta cabeça, sendo sustentado pelo parceiro, não parece uma tarefa simples, tampouco econômica no gasto calórico. O tempo de duração da meditação é curto, o que deixa a modalidade mais ativa e dinâmica.

“Em um ano praticando duas vezes por semana tive um ganho muito elevado em força, principalmente nos braços, e flexibilidade. Os resultados são graduais, mas rapidamente perceptíveis”, defende Mora.

São 60 segundos em cada posição artística. Na ioga tradicional, a maioria dos movimentos exigem o triplo do tempo. O suor e a força - braços, pernas e abdômen contraídos sem folga – garantem a evolução física do treino.

A Acro Ioga, entretanto, não é recomendada para quem deseja emagrecer, assevera Elaine. O gasto calórico existe, mas não é a prioridade da modalidade. "É variado, mas em um treino de duas horas é possível perder até 1200 calorias."

A contra-indicação é imposta de acordo com o perfil físico de cada aluno. “Crianças de seis anos e adultos de até 45 anos estão, geralmente, aptos a treinar. O fator limitante é a qualidade de vida, o peso, o condicionamento.”

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