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Tratamento evoluiu para simplificar a vida de quem busca um sorriso harmônico

Os primeiros aparelhos ortodônticos não eram nada práticos ou atraentes. Usavam estruturas de metal enormes, que saiam da boca e se prendiam a suportes ao redor de toda a cabeça. Assim eram tracionados os arcos de metal, que forçavam os dentes para o lugar certo.

A estrutura toda podia ser vista a metros de distância. Ela era chamativa e feia, fato que lhe rendeu o desagradável apelido de freio-de-burro. Mas a ortodontia evoluiu bastante nos últimos 30 anos, criando aparelhos cada vez menores e mais discretos.

Modelo Gisele Bündchen já usou aparelho
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Modelo Gisele Bündchen já usou aparelho
Um grande passo foi a criação do mecanismo livre das estruturas de metal usadas fora da boca. O sistema dos aparelhos fixos, usado ainda hoje, é basicamente composto por três elementos: brackets, arcos e ligaduras.

Os brackets são peças de metal presas nos dentes das regiões posterior e intermediária da arcada dentária. As bandas são anéis presos aos dentes do fundo. Os arcos são fixados aos brackets e anéis para aplicar uma força de tração nos dentes, levando-os à posição desejada. Por fim, as ligaduras são aquelas borrachinas que prendem os arcos nos brackets.

Embora livres de elementos externos à boca, os primeiros aparelhos fixos tinham peças tão grandes que faziam os dentes desaparecerem quase por completo. Era o sorriso metálico, que já deixou muitos adolescentes constrangidos.

As peças do aparelho ortodôntico foram sendo aperfeiçoadas e se tornaram cada vez menores. Mas vale destacar outro grande salto da ortodontia, dado no âmbito mais técnico do que estético. “Descobrimos que os dentes se movimentam mais quando a força aplicada neles é menor”, explica o ortodontista Kurt Faltin Júnior, da ABO (Associação Brasileira de Odontologia).

Antes, eram usados fios de aço no arco para gerar uma força de até 500 gramas. Quem usou aparelhos há 20 anos, sabe o que essa medida significa. “O paciente tinha dificuldade para comer e até para beber quando o aparelho era apertado”, recorda o dentista. Alguns pacientes relatavam dor constante por cerca de 24 horas após as visitas mensais ao dentista.

Hoje, os fios são feitos com liga de microtitânio. O material é submetido a tratamento térmico, o que aumenta sua elasticidade. Na prática, o fio aplica uma força pelo menos 50% menor. “O paciente não precisa sentir dor”, afirma. Essa descoberta se popularizou no Brasil a partir do ano 2000.

Discretos ou chamativos

Outro grande passo na evolução da ortodontia foi a porcelana, que passou a ser usada na elaboração de brackets – os maiores e mais chamativos elementos do aparelho bucal.

Com a porcelana, é possível confeccionar brackets brancos, de cor semelhante ao esmalte dos dentes. Isso torna o sorriso bem mais natural durante o tratamento ortodôntico. O custo, claro, aumenta. O uso da porcelana encarece em pelo menos 50% o valor do tratamento.

“No início, os aparelhos com material de porcelana eram mais delicados. Mas hoje, eles já são praticamente tão resistentes quanto os outros”, explica Carla Rachid, secretária da Abor (Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial).

“Os aparelhos de porcelana são mais discretos. É uma vantagem estética, procurada especialmente por adultos”, comenta Alexandre Fortes Drummond, professor de ortodontia da Faculdade de Odontologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Já para crianças, a estratégia para tornar os aparelhos mais atraentes pode ser justamente a inversa. Os dentistas passaram a usar ligaduras coloridas, bem chamativas. Em época de Copa, esse recurso faz sucesso até entre adultos, que procuram elásticos verdes e amarelos. Eles podem ser trocados com freqüência, cerca de uma vez por mês.

Língua cortada

Uma investida interessante dos dentistas foi a criação de um aparelho fixado na parte anterior dos dentes. A ideia parecia ótima, do ponto de vista estético, porque a parte da frente dos dentes fica completamente livre.

Mas a técnica revelou dois problemas graves. O aparelho invade o espaço normalmente usado pela língua, na articulação da fala. Assim, é comum o paciente reclamar que não consegue falar direito e, pior ainda, reclamar que tem a língua cortada constantemente.

Aparelho invisível

Depois de reduzir os aparelhos de metal e substituir alguns elementos por porcelana, um novo aparelho ortodôntico consegue praticamente desaparecer na boca do paciente. Ele é feito com uma espécie de plástico transparente, que se amolda aos dentes. Foi justamente esse tipo de aparelho que a modelo Gisele Bündchen escolheu para um tratamento recente. Como ele é muito discreto e móvel, o aparato não prejudica o trabalho como modelo.

Vários moldes são projetados para serem trocados a cada duas semanas. Eles vão ajustando gradualmente os dentes. “Mas a técnica é limitada, não dá para usar quando o paciente precisa de alteração na raiz do dente, embora ele faça alterações significativas”, explica Faltin Júnior. O custo mínimo do tratamento é cerca de mil dólares.

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