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Com a crescente oferta de cursos de capacitação para esteticistas, podólogos e massagistas, quem ganha é o consumidor

Sala de aula: no curso de terapia capilar da universidade Anhembi Morumbi o espaço reproduz grandes salões de beleza
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Sala de aula: no curso de terapia capilar da universidade Anhembi Morumbi o espaço reproduz grandes salões de beleza
Abandonar a corporação da Policia Militar de São Paulo para assumir brocas, alicates e ser responsável pela saúde de pés alheios parecia, há onze anos, uma escolha estranha e pouco promissora. Beatris de Moura Rocha Sugai, entretanto, foi uma visionária.

Ao investir em cursos de podologia, ela engordou o orçamento familiar e fez carreira em uma área que nasceu informal, mas ao longo do tempo, passou a exigir profissionalização, conhecimento específico e atualizado.

“É uma responsabilidade grande. Quem não sabe fazer, desconhece a técnica, pode provocar até a amputação  dos pés de pacientes diabéticos, por exemplo. Antigamente, confundiam a função. Éramos uma espécie de pedicure mais cara. Nós tratamos os pés, não é um serviço estético.”

Hoje, Beatris é responsável por cuidar dos pés de mulheres de banqueiros, grandes empresários paulistanos e reúne mais de 50 clientes fixos em sua agenda semanal.

“Depois de sete anos como policial militar, decidi mudar de vida. Sempre quis trabalhar na área de saúde. Pensei em enfermagem ou instrumentação, mas buscava algo que tivesse retorno mais rápido. Fiz cursos de podologia e em pouco tempo já estava oferecendo meus serviços em clínicas e prestando atendimento domiciliar.”

Atenta às novidades do mercado, ela investe anualmente em cursos e ferramentas modernas - tanto para deixar os pés livres de infecções ou unhas encravadas como para esterelizar os materiais com os quais trabalha. Sabe cuidar de pacientes diabéticos , e está habilitada para trabalhar em Unidades de Terapia Intensiva, as famosas UTIs , dentro dos hospitais – mas prefere manter-se como autônoma.

“Posso dizer que tenho o reconhecimento pelo meu trabalho. A demanda cresceu porque as pessoas estão mais preocupadas com a própria saúde, beleza, bem-estar e querem bons profissionais. Quem já teve um pé machucado por uma manicure sabe a importância de um trabalho bem feito.”

Nova commoditie?

Nos últimos 10 anos, o bem-estar deixou de ser apenas objetivo de vida e tornou-se grade curricular em faculdades particulares. Embora para os profissionais da área seja impossível definir quem veio primeiro – a procura exigiu capacitação ou a capacitação potencializou a procura – o investimento de grandes centros universitários privados é real e robusto.

Aula de spa: bem-estar entrou definitivamente para a grade curricular de faculdades privadas
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Aula de spa: bem-estar entrou definitivamente para a grade curricular de faculdades privadas
No Senac e na Universidade Anhembi Morumbi, além de uma farta carta de cursos – de curta e longa duração – há réplicas de clínicas estéticas para que os alunos coloquem em prática o que aprenderam dentro das salas de aula.

Em 2008, a Anhembi Morumbi criou uma escola para oferecer quatro cursos de beleza – bacharelado de estética, reconhecido pelo Ministério da Educação, podologia, visagismo, tratamento capilar e maquiagem profissional. A novidade impôs profissionalização ao mercado.

Em muitas cidades brasileiras, o corte de cabelo e a tintura vendem mais do que pão francês. Pequenas garagens rapidamente se transformam em salões de beleza, com múltiplos serviços. A proposta, segundo Adriana Teixeira, coordenadora do curso de visagismo da instituição, é mudar esse cenário informal e pouco qualificado, por meio do acesso à educação.

Para Gabriela Abdul-Hak Gabor Fitre, coordenadora das áreas de saúde, bem-estar, meio ambiente e educação do Senac, o mercado caminha para abandonar o estigma de futilidade ligada ao mundo da estética.

“A formação desses profissionais mostra que saúde e bem-estar andam juntos, e ambos exigem qualificação.”

O belo consumidor

Quem ganha com isso, garantem Adriana e Gabriela, é o consumidor. Os cursos contam com disciplinas de fundamentação biológica, anatomia, biologia celular e farmácia. “Os alunos aprendem não apenas a técnica, mas saem da faculdade com uma noção global e multidisciplinar.”

A bagagem teórica tende a diminuir o risco de erros nos procedimentos. A qualidade de vida dos pacientes internados em hospitais também cresce graças ao casamento entre medicina e bem-estar, acredita Gabriela.

"Colocamos anualmente no mercado profissionais que são absorvidos por clínicas médicas, de estética e hospitais de ponta."

“A área de assistência complementar tem alcançado um desenvolvimento espetacular durante as décadas. Massoterapia, reike, podologia e cromoterpaia despontam como tratamentos alternativos bastante procurados. A tendência é um aumento do interesse, acompanhado pelo reconhecimento dessas práticas", conclui a coordenadora do Senac.

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