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Treino queima até 700 calorias com acessórios usados para treinar gladiadores

Três pequenos cones são colocados ao redor do aluno, que precisa fazer uma sequência de movimentos específicos para tocá-los. Pouco depois, um elástico assume o papel principal na atividade e obriga uma combinação de força e equilíbrio para cumprir a tarefa.

A aula de ginástica não é baseada em movimentos repetidos e exaustivos, mais parece uma gincana repleta de tarefas. Esse é o core 360º, uma modalidade baseada em treinamentos funcionais que consegue a façanha de queimar até 700 calorias por hora de prática.

O gasto calórico é semelhante ao das melhores e mais puxadas aulas de ginástica, daquelas em que o instrutor grita freneticamente ao microfone, no palco de uma sala repleta de espelhos. O core, no entanto, tem outra proposta.

“Trabalhamos o corpo de forma integrada para a pessoa ter o que precisa”, afirma treinador e diretor técnico do Core 360º, treinamento funcional da Body Systems. Se o aluno gosta de jogar futebol, ele vai receber exercícios voltados para essa necessidade, como força e flexibilidade para as pernas.

“Damos um condicionamento que permite treinar como atleta, mesmo que o aluno não seja um”, diz D’Elia. O core é uma mistura do treinamento esportivo de alto rendimento praticado no começo dos anos 90, uma combinação de várias técnicas como reabilitação, atletismo, levantamento de peso e ginástica olímpica.

“É um treino dinâmico, com mais tarefas do que exercícios mecânicos”, explica D’Elia. O treino é dividido em blocos com focos específicos: força, equilíbrio, agilidade e velocidade. Mas isso é mesclado, de certa forma, em todas as tarefas.

Inteligência corporal

Parte do treinamento core busca trabalhar a inteligência do corpo. “São exercícios que exigem vários grupos musculares ao mesmo tempo”, conta a treinadora Grazziela Hayafuji. Essa ação conjunta deu origem ao nome Core 360º.

“É o treino do corpo todo a partir de seu centro, o que dá uma noção maior da possibilidade de movimento da pessoa”, esclarece D’Elia.

Na musculação, por exemplo, os exercícios são muito focados na força. Eles dão mais massa muscular, porém têm menos efeito sobre a coordenação motora. O ideal é combinar as duas atividades físicas, mas se o foco for apenas o core, os resultados também podem ser bem interessantes.

D’Elia explica que o movimento conjunto de vários músculos eleva o gasto calórico sem que o aluno perceba. Assim, ele queima calorias e emagrece mais rápido do que imaginava.

O próprio envolvimento com a atividade tira a atenção do desgaste físico. Existem tarefas, por exemplo, que começam a ser feitas com as duas pernas, depois precisam ser realizadas com apenas uma e, por fim, com os olhos fechados. Isso obriga a pessoa a sentir melhor seus movimentos, ganhando mais inteligência corporal. Todo esse foco na percepção do próprio corpo faz com que o aluno melhore a postura.

Tempo de treino

As aulas duram de 30 minutos a uma hora. “Elas podem aumentar o tempo e a intensidade de acordo com o plano desenvolvido por cada aluno”, comenta Grazziela. E são feitas de duas a quatro aulas por semana, geralmente.

A combinação com exercícios de musculação também é bastante citada pelos treinadores. Ela pode ser realizada com substituições. O aluno treina pernas e abdome na musculação, mas passa a deixar o treino de abdome para o core. Assim ele pode ampliar os efeitos e agrupar mais grupos musculares no exercício.

Os equipamentos usados no Core 360º são curiosos, chegam a lembrar alguns instrumentos de treino medievais. E não é por acaso. Alguns deles são inspirados no material usado para treinar gladiadores.

A kettlebell, por exemplo, parece uma bolsa de ferro com uma bola acoplada, algo parecido com o martelo usado em arremessos olímpicos, só que sem a corrente. A medicine ball é outro instrumento bastante usado também, ela parece a kattlebell, mas seu suporte é feito na própria esfera.

Os elásticos são usados como faixas para os pés ou para as mãos. Eles são um recurso importante principalmente nos exercícios que trabalham o equilíbrio. Mas halteres tradicionais e até exercícios sem nenhum equipamento podem ser usados, tudo depende de como o treino é personalizado para cada praticante.

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