Tamanho do texto

Na pesquisa que mapeia o estilo "faça o que eu digo e não o que faço" elas preferem boa alimentação a parar de fumar

Pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas decidiram investigar quais são os hábitos que a população considera prioritários para proteger à saúde.

Ofereceram sete possibilidades aos 3.214 entrevistados e descobriram que as pessoas colocam no topo do ranking ações que, na prática, não conseguem adotar.

Para participar da enquete, os abordados tinham de eleger três comportamentos que achavam essenciais para proteger o organismo. As possibilidades eram alimentação saudável, atividade física, visitar o médico, não fumar, não beber em excesso, controlar o estresse e manter o peso ideal.

Elas elegem
Getty Images
Elas elegem "alimentação saudável" e "atividade física" como hábitos mais protetores da saúde, mas são maioria nos dados de obesidade, transtorno alimentar e sedentarismo
As mulheres, por exemplo, colocaram em primeiro lugar a alimentação balanceada (77%), seguida pela atividade física (56,3%).

Outras pesquisas já mostraram que o sexo feminino até cuida da alimentação, mas lidera as estatísticas de sedentarismo e rejeição aos exercícios . Da mesma forma, elas são em maior número nos dados de obesidade (segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, a proporção é duas para cada homem).

Mais publicações também endossaram que “comer bem” não é prioridade para 26% das universitárias do País , que pulam refeições e têm comportamentos de risco com o objetivo de ficar abaixo do peso, como mostrou estudo nacional feito por pesquisadores da USP e da Unifesp.

A mesma incoerência de eleger como prioridade na proteção da saúde hábitos que não fazem parte do cotidiano foi encontrada entre os homens, quando divididos por renda familiar mensal e escolaridade.

Outros estudos já mostraram que os maiores índices de fumantes estão concentrados em pessoas que estudaram menos e têm renda menor (um dos levantamentos com esta constatação foi feito pela Universidade Federal de São Paulo). Justamente nestes recortes, a escolha por “parar de fumar” foi mais pontuada do que em seguimentos em que o tabagismo não é tão frequente.

O estresse provocou a mesma contradição. Pessoas que têm renda maior fazem menos atividades físicas (como evidencia enquete da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para fins especiais) e apresentam mais níveis de estresse maiores. Nesta categoria, os participantes da pesquisa da Universidade Federal de Pelotas foram os que mais escolheram o “controle do estresse” e a “prática de atividades” como mais influentes na manutenção da boa saúde.

Na última edição do Caderno de Saúde Pública, periódico em que o estudo de Pelotas foi publicado, os autores tentam decifrar a postura “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” dos entrevistados. Acreditam que a explicação é simples: não falta informação às pessoas. Elas já sabem como proteger a saúde, o que corrigir ou qual comportamento adotar. O investimento das políticas de saúde deveria ser focado em como ir da teoria à prática.

A resposta para esta questão ainda não foi definida. Mas os médicos sabem que a mistura dos sete hábitos da pesquisa é a mais eficiente para obter mais longevidade com saúde.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.