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O advogado Rodrigo Galvão ganhou independência com Brenda. Mas ainda encontra preconceito por causa do animal em locais públicos

Rodrigo e Brenda: trabalho e afeto
Yara Achôa
Rodrigo e Brenda: trabalho e afeto
A vida do advogado Rodrigo Galvão dos Santos, deficiente visual com um resíduo de visão, teve um salto de qualidade há um ano e meio. O auxílio veio em forma de quatro patas, que atende pelo nome de Brenda, labradora de três anos.

Ele conta que tinha ideia do que o cão-guia poderia representar em seu dia a dia, mas se surpreendeu e se emocionou quando passou a sentir isso na prática. “Você não imagina o que é chegar a uma estação de metrô e não precisar de um funcionário para guiá-lo”, relata.

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A aquisição de um cão-guia não é tarefa simples. Rodrigo pesquisou pela internet, tentou alguns contatos no Brasil, mas só teve sucesso com a entidade americana Guiding Eyes. E foi preciso ficar um mês nos Estados Unidos para o período de adaptação com o animal, bem como para aprender os cuidados básicos.

“Minha vida mudou. Quando usava bengala, as atividades eram mais limitadas e muitas vezes percebia que as pessoas se afastavam de mim. Agora, com a Brenda, me sinto incluído na sociedade”.

Mas apesar de Brenda ser um animal bem cuidado e educado e da garantia por lei de seu acesso a qualquer ambiente e no transporte público, o advogado revela que algumas pessoas ainda se incomodam com a presença do cão-guia.

“Em um restaurante o dono me fez levantar e ir embora. Em situações como essa muita gente fica olhando, mas não faz nada. Apenas uma vez, uma moça intercedeu a meu favor”, conta.

Porém, mesmo que seja um cão encantador, é importante que outras pessoas na rua não mexam, distraiam e principalmente alimentem o cão-guia. Afinal, ele está “trabalhando”.

“Há momento para tudo. Quando está com o equipamento (uma guia especial), ela fica de prontidão, atenta para receber meus comandos e me guiar. Quando está liberada, brinca e interage como qualquer outro cachorro”. Sobre a relação entre eles, Rodrigo resume: “É muito amor!”

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