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O jornalista Lucas de Abreu Maia, cego de nascença, mudou sua vida com a chegada de Annie, seu cão-guia

Lucas e Annie: juntos em todas as horas
Yara Achôa
Lucas e Annie: juntos em todas as horas
Cães-guias têm acesso assegurado por lei a qualquer ambiente e no transporte público. Mas não é comum vê-los circulando por aí – até porque são muito poucos.

Segundo especialistas, esses animais especialmente treinados não passam de 100 em todo o Brasil. E a maioria vem de fora do país – dos Estados Unidos, do Canadá ou da Europa.

Uma pena. Cães-guias proporcionam independência, são companheiros, trazem dignidade e auto-estima ao cego.

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"Não me dei bem com a bengala e só podia sair quando alguém me guiava. Com a chegada da Annie, há sete anos, minha vida se transformou. Sai da casa dos meus pais, no Rio de Janeiro, fiz intercâmbio no exterior, e me mudei para São Paulo”, conta o repórter de política Lucas de Abreu Maia.

Hoje ele mora sozinho – ou melhor, na companhia de Annie. E não imagina sua vida sem a cadela. “Ela é mais do que um cachorro, é uma extensão do meu corpo. É a relação mais próxima que tenho. Quando pinta tristeza profunda, é ela quem abraço; quando estou de mau humor, também é ela que me aguenta”.

Lucas diz que sempre quis ter um cão-guia, mas levou tempo para conseguir o seu, em uma entidade americana, a Guide Dog Foundation for the Blind, em Nova York, com ajuda de uma das pioneiras em cães-guias no Brasil, Ethel Rosenfeld.

Pelo trabalho e grande responsabilidade que têm, esses animais se “aposentam” com oito anos de idade. Ou seja, em mais um ano no máximo, Annie deixará de ser a companhia constante de Lucas. “Só de pensar nisso meu coração fica apertado”, diz.

Mas a cadela continuará em contato com o dono, pois a ideia é deixá-la na casa de seus pais. “Quero que ela tenha uma velhice com qualidade”, explica o jornalista, que pretende arrumar outro cão-guia, possivelmente já treinado no Brasil.

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