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Número de cidades que oferecem medicina alternativa no SUS passa de 240 para 1.340

Acupuntura: demanda popular pela técnica aumentou
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Acupuntura: demanda popular pela técnica aumentou
Os médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) estão usando mais agulhas e o motivo não é a aplicação de vacinas ou injeções.

A oferta de acupuntura na rede pública do País cresceu 128% em dois anos, mostram os números do Ministério da Saúde, passando de 97.274 consultas em 2007 para 221.862 em 2009. Atualmente, a média é de 265 agulhadas por dia nos postos de saúde brasileiros.

O motivo que justifica a ampliação da técnica milenar chinesa na rede pública de saúde é a soma de mais especialistas na área, aumento da produção de pesquisas científicas que comprovam os benefícios da estimulação dos pontos estratégicos do organismo, além do crescimento da demanda popular pelo serviço médico.

Este processo começou em 1995, quando a acupuntura passou a ser considerada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) como especialidade médica, assim como o são a pediatria, a ginecologia ou a ortopedia. Onze anos depois, em 2006, o governo federal lançou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) e o mesmo sucesso que as agulhadas ganharam nos consultórios privados – já então bem disseminados – passou a ser almejado pela rede pública.

“Uma das vantagens de a acupuntura ter sido reconhecida como especialidade médica é a aproximação  da técnica com o SUS. As consultas perderam o caráter elitista inicial e se popularizaram”, afirma Ruy Tanigawa, presidente da Associação Médica Brasileira de Acupuntura (AMBA).

A aproximação da técnica com os serviços públicos também é explicada pela produção em maior número de ensaios científicos. Atualmente, as pesquisas mais contundentes sobre acupuntura falam sobre a melhora da dor crônica, sintoma que pode ser subjetivo mas é cada vez mais presente na sociedade. A estimativa da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor é de que três em cada 10 brasileiros sofram do mal, sendo as mulheres e as pessoas com mais de 60 anos as principais vítimas.

Mais recursos e mais cidades

Segundo o Ministério, com a implantação da PNPIC, os recursos dispensados com acupuntura tiveram um incremento de 215,08%. Em 2007, foram gastos R$ 280.522,50 enquanto, em 2009, o valor aplicado foi de R$ 883.886,08. Além disso, mais cidades se interessaram em oferecer a chamada medicina complementar. Em 2004, o governo mapeou 230 municípios brasileiros que realizavam alguma prática. Em 2009, foram contabilizados 1.340 locais com o serviço.

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Técnica ajuda a combater os efeitos colaterais da quimioterapia
Não há um serviço disponível que concentra todas as informações sobre os endereços das unidades públicas que oferecem a técnica. A orientação do Ministério é para que os interessados falem com os médicos para saber onde podem encontrar as consultas gratuitas. Outra dica é verificar com as secretarias municipais de saúde, responsáveis pelo controle do serviço, onde estão os acupunturistas que atendem pelo SUS.

Em alguns casos, quando a oferta é condicionada a um outro tipo de serviço, o acesso é restrito. O Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp), por exemplo, oferece a técnica com agulhas para aliviar os sintomas da quimioterapia mas só para pacientes que fazem tratamento no centro.

Outras especialidades 

Apesar do aumento da oferta da acupuntura na rede gratuita, o presidente do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura, Dirceu de Lavôr Sales, afirma que a procura de pacientes cresce mais rápido do que a disponibilidade das consultas. Ele, que é supervisor do programa de residência médica em acupuntura da Universidade Federal de Pernambuco e coordena o serviço de acupuntura para dor crônica do Hospital do Recife, diz que a solução para acolher todos os pacientes seria sensibilizar os alunos de medicina enquanto eles ainda estão estudando. “Muitos só descobrem a técnica quando terminam a faculdade e já estão na ativa há muitos anos”, diz.

O interesse tardio pela acupuntura repercute na atual característica da mão de obra – os médicos, em maioria, têm 10 anos de vivência em outras especialidades. Além disso, no SUS, uma parcela significativa dos funcionários não é formada em medicina, como mostrou trabalho publicado na edição de junho da Revista Brasileira de Fisioterapia. Em 2007 – ano em que a pesquisa foi feita – 28% das consultas de acupuntura gratuitas foram registradas por profissionais não-médicos em 41 cidades de São Paulo. A Associação Médica Brasileira (AMB) defende que só o médico pode ter este olhar mais pleno sobre o paciente. Já os fisioterapeutas também acreditam que podem oferecer a técnica e não há impedimento legal para isso.

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