Exercícios contra a esclerose múltipla

Atividade regular promove melhoria na qualidade de vida dos pacientes e pode reduzir as crises da doença

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Pilates e ioga são indicados para portadores da doença

Embora a medicina ainda busque as causas e origens de doenças autoimunes, como a Esclerose Múltipla (EM), não faltam estudos científicos que procurem alternativas - não apenas medicamentosas – para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Entenda sobre a doença : Medicina avança contra a Esclerose Múltipla

Tarso Adoni, neurologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, revela que testes feitos pela Universidade de Ohaio, nos EUA, somados às experiências nacionais nos consultórios, mostram que os pacientes submetidos à atividade aeróbica frequente, além de apresentarem um melhor desempenho cognitivo que os sedentários, tinham menos lesões no cérebro, após realizarem a ressonância magnética.

A explicação, apesar de hipotética, reafirma o valor extracurrricular da malhação. Adoni explica que provavelmente os pacientes ativos liberam fatores de crescimento neural – proteínas que aumentam a capacidade de recuperação do sistema nervoso central - o que, na prática, pode reduzir os surtos da doença.

“É incontestável a melhora, embora as reações ainda não estejam absolutamente comprovadas. Nem todo paciente, porém, é capaz de realizar a atividade. Para aqueles que têm menos restrições, o exercício é extremamente importante. Entretanto, ainda não temos estudos que revelem esse mesmo valor quando a doença têm manifestações mais severas, limitações motoras, pacientes restritos à cadeira de rodas, ou na cama.”

Outras doenças autoimunes: Lúpus ataca o sistema imunológico

Até a década de 80 havia um consenso médico de que o exercício físico era prejudicial aos portadores da doença. A prática, por aumentar a temperatura corporal, fazia o paciente sentir piora dos sintomas e agravamento da fadiga.

A EM é uma doença que ataca a mielina, uma substância branca do sistema central do cérebro , que reveste o nervo. Sua função é fazer com que o estímulo elétrico das ramificações dos neurônios, a informação entre eles, seja mais rápida. A doença é neurológica, mas reage em diversas partes do corpo. Alteração visual, desequilíbrio e perda de sensibilidade são alguns dos efeitos.

“O que ocorre é uma espécie de miopia do sistema de defesa. A mielina é destruída a uma velocidade muito maior do que aquela que o organismo usa para produzi-la”, explica Beny Schmidt, chefe do laboratório de patologia neuromuscular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O aumento da temperatura corporal dificulta a condução do impulso nervoso e faz com que a mielina seja imperfeitamente refeita. Embora essa relação seja verdadeira, ela não anula os benefícios da atividade física regular aos pacientes, endossa Tarso Adoni, neurologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Precauções

Rogério Adas de Oliveira, médico assistente do serviço de neurologia do Hospital Santa Catarina, revela que modalidades como o pilates e a ioga apresentam uma resposta interessante em termos de equilíbrio e coordenação motora. " Ambos ainda trabalham de uma forma intensa a respiração. Esse tipo de movimento reduz a ansiedade e colabora para o bem-estar dos pacientes."

Exercícios funcionais não são as únicas opções de atividade. O neurologista do Sirio Libanes defende que a escolha seja feita de acordo com as limitações, mas não há nenhuma contraindicação. O recomendado é combinar aeróbico com muscular e ter cuidados na escolha das roupas, horário e refrigeração do ambiente.

Segundo os médicos, o aumento da temperatura corporal provoca a falsa sensação de surto, geralmente similar aos sintomas sentidos anteriormente. Se no passado o paciente teve uma crise que deu por sintoma a diminuição da sensibilidade na metade direita do corpo, o calor, provocado por um banho quente, exposição ao sol, ou atividade física intensa, faz com que aquela região afetada seja novamente atingida.

“A medicina chama esse quadro de Fenômeno de Utof. Significa a piora de um sintoma previamente ocorrido. Chamamos de falso surto, pois quando o corpo é resfriado, desaparece a alteração da sensibilidade.”

Abaixo, Tarso Adoni lista alguns cuidados que devem fazer parte da rotina dos pacientes-atletas:

- Exercícios devem ser feitos em ambientes climatizados – ar condicionado, ventilador, local bem arejado
- Períodos iniciais da manhã e final da tarde - manha já estão mais descansados
- Para minimizar a fadiga é fundamental manter o corpo sempre hidratado durante a atividade física
- Tenha consigo um pano umedecido para abaixar a temperatura do corpo

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