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Fratura por estresse atinge 25% dos corredores

Traumas de baixa intensidade, provocados repetidas vezes na mesma região, são risco para mulheres esportistas

Bruno Folli, de Curitiba | 10/08/2010 14:32

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Foto: Getty Images Ampliar

Em mulheres, problema pode ser causado por treinos na intensidade errada

A fratura por estresse é uma das principais complicações que a mulher adepta ao esporte pode enfrentar. Ela representa 10% das fraturas de atletas, índice que pode chegar a 25% no caso de praticantes de corrida.

Os números acabam de ser apresentados no 22º Congresso Brasileiro de Medicina do Exercício e Esporte, encerrado no último sábado (7/8) em Curitiba (PR).

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“Existe uma combinação de fatores chamada tríade da mulher atleta, na qual distúrbios alimentares e alterações do ciclo menstrual afetam a massa óssea”, explica Cláudio Machado da Silveira, especialista em medicina do esporte da Federação Brasileira de Atletismo.

Diferente da fratura por impacto, causada por um trauma brusco e forte, o comprometimento ósseo por estresse é lento e gradual. “Ele é resultado de traumas de baixa intensidade, provocados repetidas vezes na mesma região”, detalha o ortopedista Marcelo Cabral do Rêgo, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Em 95% dos casos, a fratura por estresse acomete os membros inferiores. “A tíbia sofre metade das lesões”, aponta Cabral.

Ossos elásticos

Por ser um tecido duro e calcificado, é difícil imaginar que o osso tenha elasticidade. Mas essa propriedade existe, e diminui gradualmente com o passar dos anos. Quando o osso é exposto a uma determinada pressão, ele cede igual a um elástico de roupas. Existe um limite de pressão que pode ser suportado sem que haja deformidade.

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Se o limite for ultrapassado, o osso não retorna a seu formato original, fenômeno chamado de deformação plástica. Se a pressão for ainda maior, o osso se rompe. Intensidade do treino, carga do exercício e preparo físico da pessoa são determinantes neste processo.

Esforço repetido

No caso das fraturas por estresse, a evolução do quadro é difícil de ser percebida porque o processo costuma acontecer lentamente. “Ele é provocado pela pressão, ou seja, por uma força sobre um espaço pequeno dos ossos”, explica Luis Fernando Funchal, ortopedista da SBOT.

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Praticantes de esportes que requerem esforço repetido estão mais sujeitos a esse tipo de lesão. Embora os membros inferiores sejam os mais atingidos, os superiores não estão livres do problema. O médico cita casos em que tenistas tiveram a mão lesionada por estresse.

Uma forma eficiente de prevenir esse tipo de fratura é fortalecendo a musculatura. Ela pode absorver parte da pressão e aliviar o trauma ósseo do exercício.

Difícil diagnóstico

Apenas metade das fraturas por estresse são identificadas no primeiro exame de raio-x, porque muitas das lesões são pequenas demais para serem visualizadas, o que dificulta o diagnóstico. Uma solução é recorrer à cintilografia.“Quando ela dá resultado negativo, a suspeita de lesão por estresse pode ser totalmente eliminada”, comenta Cabral.

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A opção mais adequada para esse tipo de diagnóstico é a ressonância magnética. O exame, porém, é caro, o que inviabiliza a detecção para muitos pacientes.

Já o tratamento da fratura por estresse é bem mais simples, muito parecido com os procedimentos adotados em caso de traumas por impacto brusco. São cirurgias, imobilização do membro e repouso, com a vantagem de uma recuperação mais rápida em muitos casos.

Contudo, a fratura por estresse requer uma investigação médica mais aprofundada, pois é preciso identificar o processo causador do problema para poder eliminá-lo. Nas fraturas por impacto brusco, o episódio causador da lesão é sempre evidente e pontual.

Risco maior em mulheres

As mulheres têm um fator de risco a mais para fraturas por estresse devido à queda na absorção de cálcio, problema que pode ser causado por treinos na intensidade errada. Sejam atletas ou simplesmente amantes do esporte, as mulheres tendem a combinar exercícios com dieta muito restritiva na busca pelo corpo perfeito.

“A obsessão pelo regime chega a configurar um distúrbio alimentar em 3% das mulheres não atletas e salta para pelo menos 15% entre o grupo das atletas”, aponta Ricardo Nahas, da comissão científica da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME).

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Esse costuma ser o primeiro passo para a tríade da mulher atleta. Ao exagerar nos exercícios com uma alimentação pobre, o organismo sofre alterações hormonais que desregulam o ciclo menstrual. Em casos extremos, há cessação da menstruação.

“Isso é tido como uma consequência comum em mulheres esportistas, mas trata-se de uma doença. É algo grave”, alerta Nahas. Sem menstruar, quadro chamado de amenorreia, a mulher prejudica a absorção de cálcio pelo organismo, o que afeta os ossos.

“A amenorreia acomete 5% das praticantes amadoras de esportes e chega a atingir 46% das atletas brasileiras”, afirma o médico. O próximo passo, para completar a tríade da mulher atleta, é ter osteopenia ou osteoporose, doenças que aumentam drasticamente as chances de uma fratura por estresse. “Elas se tornam jovens atletas com ossos de velhas”, diz Nahas.

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Para Tathiana Parmigiano, ginecologista das seleções brasileiras de Basquete e de Judô, quando uma mulher sofre fratura por estresse ela deve passar por uma investigação médica específica.

“É preciso se certificar de que ela não tenha nenhum distúrbio alimentar, nem problemas no ciclo menstrual. A fratura geralmente é o último sinal da tríade”, alerta.

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