Estudo com população de brasileiros mostrou que ausência do hormônio no organismo não influi na expectativa de vida

Substância é consumida por fisiculturistas sob a forma de suplemento
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Substância é consumida por fisiculturistas sob a forma de suplemento
A amplamente divulgada capacidade do hormônio do crescimento (hGH, do inglês human Growth Hormone) de retardar o envelhecimento voltou a ser questionada esta semana.

Em um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, mostrou que pessoas que não conseguem produzi-lo são tão longevas quanto as que o fabricam em quantidades normais.

Pesquisas já mostraram que ratos cujos corpos não produzem ou processam adequadamente o hGH têm sua longevidade aumentada. Por outro lado, alguns resultados de estudos mostram que pessoas com baixos níveis da substância têm risco aumentado para doenças cardiovasculares, um fator que reduz a expectativa de vida.

Para complicar mais ainda, recentemente, o hGH vem sendo globalmente divulgado – especialmente pela internet – como uma potente substância anti-idade. As propagandas se baseiam na observação de que entre pessoas com deficiência desse hormônio, suplementos de hGH podem atenuar sinais físicos do envelhecimento, como redução da massa muscular e da espessura da pele. Esta crença levou ao consumo da substância sob a forma de suplemento, especialmente por praticantes de musculação.

Numa tentativa trazer alguma luz aos resultados conflitantes sobre o tema, o endocrinologista italiano Roberto Salvatori, do Departamento de Endocrinologia da Johns Hopkins investigou uma população de 65 anões residentes no município de Itabaianinha, no interior do Sergipe, localidade conhecida por apresentar um alto índice de nanismo entre sua população.

Foram analisados 65 anões, todos portadores de alterações genéticas que levam a uma deficiência congênita severa de hGH no organismo. Depois de confirmar com testes genéticos a presença das mutações, os pesquisadores coletaram datas de nascimento e de morte (estas últimas apenas dos que já haviam falecido) dos participantes da pesquisa e de seus 128 irmãos não afetados pela mutação, num total de 34 famílias. Compararam então a longevidade de cada um deles com a da população em geral da localidade, confirmando que os afetados pelas alterações genéticas viviam tanto quanto seus irmãos sem as mutações. A pesquisa está publicada na edição deste mês do Jornal de Endocrinologia Clínica e Metabolismo (do inglês, Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism ).

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