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Modalidade será abordada em nova fase da novela global e especialistas falam dos benefícios trazidos ao corpo e mente

Eneida Fádell é praticante do Kung fu, modalidade que traz elasticidade, força e ainda ajuda a emagrecer
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Eneida Fádell é praticante do Kung fu, modalidade que traz elasticidade, força e ainda ajuda a emagrecer
Se a trajetória de Eneida Fádell fosse uma novela, o enredo seria de uma mocinha que, após ser assaltada à mão armada, resolveu buscar o Kung fu para aprender defesa pessoal e nunca mais cair nas garras dos bandidos.

Nesta procura, Eneida encontrou mais do que uma arte marcial. As aulas abriram caminho para um novo estilo de vida, conta a protagonista, que trouxe calma, serenidade e, de quebra, uma excelente forma física.

A história real desta professora de Educação Física do Pará ainda não inspirou autores da ficção, mas o esporte que radicalizou sua vida vai virar tema de novela. A próxima fase da trama adolescente da Rede Globo Malhação – prevista para estrear em 29 de agosto – terá o Kung fu como o esporte da vez. Segundo os especialistas, as academias, os personais trainers e até os estudiosos também estão focados em popularizar os benefícios trazidos ao corpo e à mente por esta modalidade que é uma mistura de arte, esporte e até terapia.

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700 calorias

“O Kung fu é considerado uma arte marcial porque tem origem nas guerras orientais milenares. Ao mesmo tempo, existem campeonatos, em que há regulamento e avaliação de desempenho dos praticantes. Por isso, a modalidade também é encarada como esporte”, afirma o fisioterapeuta Juliano Schwartz, que faz mestrado na USP em Educação Física sobre o tema.

A professora Eneida diz que o Kung fu trouxe força, equilíbrio, concentração e autocontrole graças aos movimentos com adversários imaginários
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A professora Eneida diz que o Kung fu trouxe força, equilíbrio, concentração e autocontrole graças aos movimentos com adversários imaginários
Nos primórdios, quem procurava o Kung fu buscava uma filosofia de vida, já que a prática exige técnicas de respiração, concentração e meditação, semelhantes às utilizadas na ioga.

“Mais recentemente, além da filosofia e do autoconhecimento, as pessoas perceberam que o esforço dos movimentos também melhora o condicionamento físico. O Kung fu passou a ser buscado para isso também”, complementa Schwartz.

O personal trainer Luiz Carlos Nascimento, de São Paulo, foi testemunha desta transformação. Aos 14 anos ele entrou para uma escola de Kung fu, inspirado pelos filmes protagonizados por Bruce Lee e também pela filosofia desta arte marcial. Virou faixa preta na técnica e hoje é personal especializado na modalidade.

“Tenho 10 alunos particulares de Kung fu (sem contar os matriculados na academia em que dá aula) e a maioria quando inicia almeja o emagrecimento”, conta Nascimento.

“Como a sequência de chutes, socos e movimentos é uma excelente aeróbica, que movimenta todo o corpo, é perfeitamente possível aos praticantes, ainda que em fase inicial, perder peso”, acrescenta o personal especializado, acrescentando que, em uma hora de treino, é possível eliminar 700 calorias ou mais.

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Efeito terapêutico

Dentro do Kung fu, existem vários estilos e denominações. A pessoa pode treinar em dupla ou apenas fazer os movimentos como se estivesse diante de um adversário imaginário.

São várias posições ensinadas – cada uma com um nome diferente. Para conseguir executá-las, é preciso força, equilíbrio e elasticidade.

Os movimentos exigem técnicas de respiração, equilíbrio e respeitam a tradição da arte milenar chinesa
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Os movimentos exigem técnicas de respiração, equilíbrio e respeitam a tradição da arte milenar chinesa
“Por isso, também fazem parte das aulas, as flexões de braço, os abdominais, o fortalecimento dos músculos das pernas e os treinos para ampliar o fôlego”, ensina Luiz Carlos Nascimento.

Para Eneida Fádell há ainda os ganhos psicológicos do Kung fu, uma das metas de suas aulas e do grupo de estudo que montou sobre o tema.

“Sempre digo ao grupo (formado por homens mulheres de todas as idades) que para executar o movimento com perfeição, é preciso anular a interferência externa, os barulhos, o estresse. No final das aulas, sempre proponho uma discussão sobre os fatores que atrapalham e ajudam na concentração”, diz Eneida.

“Isso proporciona uma reflexão que é levada para a vida pessoal. Todos os participantes do meu grupo dizem que ficaram mais centrados. Alguns desenvolveram espírito de liderança no ambiente profissional. Há relatos de quem parou de brigar com os pais ou com a mulher porque ficou mais calmo”, completa a professora.

O fisioterapeuta Juliano Schwartz conta que todo este potencial do Kung fu já começa a ser explorado pelas pesquisas científicas. Ainda não existem resultados contundentes, mas a aposta é que a prática pode trazer benefícios na prevenção de doenças e no aumento da qualidade de vida. Esta hipótese, inclusive, é explorada por Schwartz em seu estudo chamado “Avaliação da aptidão física relacionada à saúde (população em geral) e qualidade de vida dos praticantes de lutas, artes marciais e modalidades de combate na cidade de São Paulo” – ainda em andamento – que acompanha cerca de 1.000 pessoas.

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