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Conheça o Sling Training, técnica alemã de exercícios que pode ser associada a diversas modalidades e potencializar o treino

Ele é metido, intrometido e arrogante. Sozinho, pode seduzir mais de 15 alunos para uma aula de fitness e fortalecimento muscular, ao ser incorporado à tradicional grade de ginástica das grandes academias. Associado a outras modalidades, como o pilates ou a musculação, se diz capaz de promover um treino completo: todos os músculos do corpo são acionados, sem folga.

Seus dotes ainda podem acelerar a recuperação após cirurgias e lesões ortopédicas. Sem limites de atuação e de fácil transporte – qualidades e desafios em apenas duas cordas - o Sling Training, método alemão que mistura fisioterapia, fortalecimento muscular e reabilitação, começa a ganhar corpo entre educadores físicos e fisioterapeutas brasileiros.

A técnica parece simples e não tão desafiadora. Duas cordas sustentadas por um suporte no teto, com apoios razoavelmente confortáveis para as mãos ou pés, permitem uma infinidade de exercícios, com graus variados de intensidade. A proposta oferece desde movimentos lúdicos - é possível utilizar o aparelho como um balanço, por exemplo -  até os mais acrobatas. Equilibrar-se na ferramenta por apenas 15 segundos, porém, requer concentração, força (principalmente no abdômen) e postura. Para dificultar o exercício, basta acrescentar enormes bolas de plástico, pesos ou exigir que o aluno simplesmente mantenha o equilibrio e faça uma flexão de ponta cabeça.

Cornell Coezijin, fisioterapeuta e instrutor da técnica na Alemanha, explica que a vibração das cordas ativa os estabilizadores do corpo. Com treinos semanais, é possível corrigir a postura, trabalhar a musculatura interna e ganhar condicionamento. Perder peso é uma conseqüência de menor valor, mas também presente, defende o especialista.

“A proposta é trabalhar os músculos pequenos, internos. A maioria dos esportes não desenvolve o corpo globalmente. Esses músculos menores são fundamentais para diminuir as chances de lesões e estabilizar o organismo.”

Berço Alemão

O Sling foi desenvolvido pelo também alemão Hape Méier, em 2005. No País onde nasceu, a modalidade, em apenas cinco anos de vida útil, já é amplamente utilizada e conhecida. Os jogadores do time de futebol da cidade de Nuremberg são tratados com sessões de fisioterapia e exercícios da modalidade. O objetivo é prevenir os saudáveis e acelerar o processo de recuperação dos atletas machucados. O mesmo trabalho é feito com os ginastas olímpicos da Alemanha.

“O trabalho pode ser feito no dia seguinte após uma cirurgia ortopédica. Os exercícios melhoram a circulação sanguínea, amenizam a dor, trabalham a musculatura e aceleram a recuperação. Os atletas ganham semanas, voltam antes aos treinos.”

Moeda de valor

No Brasil, a modalidade existe desde de março de 2009. Entretanto, ainda não conquistou os grandes clubes de futebol profissional, tampouco foi incorporada aos treinos da famosa ginasta Daine dos Santos. A modalidade, mais conhecida no Rio de Janeiro, é procurada menos no coletivo, mais no individual. Profissionais do ramo, que buscam refrescar os currículos com técnicas internacionais, personalizam o Sling tupiniquim. No total, segundo a lista de nomes divulgada no site da empresa, são 35 educadores e 63 fisioterapeutas formados na modalidade.

Rogério Tozzi é um dos professores de educação física capacitados pela Sling Training Brasil. O curso, que tem duração de três dias, às vezes, é ministrado por Cornell Coezijin, que divide a divulgação e o trabalho na área entre o Brasil e Europa.

Tozzi levou a técnica para uma das academias onde trabalha e quer, agora, potencializar o treino dos aspirantes a marombeiros. “A idéia é inserir exercícios com o Sling na série dos alunos da musculação. A musculatura grande, vísivel, não garante força ou evita lesão.”

Seus conhecimentos, além de valorizarem o passe como personal – uma aula individual de Sling custa, em média, 200 reais - também podem ser utilizados por outros grupos. Gestantes, idosos e deficientes físicos recebem tratamento especializado. A modalidade não tem contra-indicação ou censura. “Já fiz um trabalho muito legal de preparação do assoalho pélvico, e fortalecimento da musculatura em gestantes. Dá resultado.”

Para os desejosos por modalidades mais "delivery" de corpos enxutos e definidos, a técnica exigirá paciência e dedicação. Trabalhar globalmente dá resultado visível, mas em longo prazo. “As pessoas sentem os músculos menores fortes, firmes”, pontua Tozzi. Postura correta e equilíbrio valem mais do que bíceps rasgados.

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