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O "jeitinho" certo para sugerir a dieta

Pesquisa mostra que conselhos dos médicos não devem ser incisivos e, sim, motivacionais

The New York Times | 15/11/2010 12:00

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Foto: Getty Images

Pesquisa mostra que forma como médico orienta restrição alimentar influencia no peso

Pessoas acima do peso são frequentemente aconselhadas pelos médicos a perder os quilinhos a mais. Mas esses conselhos trazem algum resultado?

Um novo estudo sugere que isso depende da forma como eles são oferecidos. Bajular, persuadir e censurar são métodos ineficientes, segundo os pesquisadores. Porém, uma discussão colaborativa pode realmente funcionar.

Os pesquisadores gravaram, durante um período de 18 meses, conversas entre 40 clínicos gerais e 461 de seus pacientes com sobrepeso, terminando em junho de 2008. Eles anotavam quando surgia algum dos seguintes assuntos relacionados a peso: nutrição, atividade física ou peso e índice de massa corporal. Em seguida, fizeram um acompanhamento três meses depois para ver se a conversa havia resultado em alguma perda de peso real.

A maioria dos médicos tocou no assunto do peso, e 320 dos 461 pacientes ouviram a pelo menos alguma orientação sobre o problema. Então, após anotar a quantidade de tempo que os médicos dedicaram ao assunto, os pesquisadores usaram uma escala bastante testada para classificar o conteúdo motivacional da conversa.

A entrevista motivacional é uma abordagem que evoca o impulso por mudança do próprio paciente, enfatizando que a mudança só pode partir dele mesmo, e não do médico. O método aceita as fraquezas do paciente, enaltece os sucessos e coloca médico e paciente num esforço colaborativo.

Uma conversa não-motivacional, por outro lado, geralmente inclui confrontar, julgar, persuadir e oferecer conselhos sem que eles tenham sido solicitados. Segundo informações de histórico no artigo, que aparece na edição de outubro do periódico científico Jornal Americano de Medicina Preventiva, a entrevista motivacional mostrou eficácia na redução do consumo de álcool e do tabagismo, além de resultados promissores na perda de peso.

Análises estatísticas não mostraram diferenças significativas entre os pacientes que haviam discutido o problema do peso com seus médicos e aqueles que não haviam. Três meses depois, a maioria dos pacientes manteve praticamente com o mesmo peso, ou estava mai gordo.

Porém, examinando somente os 320 pacientes que discutiram o peso, eles descobriram que a entrevista motivacional estava associada a uma perda de peso significativa – 1,6 quilos a mais do que os pacientes sem a conversa motivacional. A diferença persistiu mesmo depois do controle por idade, raça, sexo, situação econômica, nível educacional, saúde geral e outros fatores.

Nicolas Rodondi, professor-assistente de medicina da Universidade de Lausanne, na Suíça, que já publicou vários textos sobre peso e saúde, mas que não esteve envolvido na pesquisa, considerou o estudo “bom e interessante”. Mesmo assim, ele hesitou quando questionado sobre o efeito duradouro da entrevista motivacional.

"O período de três meses é instrutivo”, disse ele, “mas falta provar se isso se traduzirá numa perda de peso no longo prazo”.

Médicos atentos

A principal pesquisadora, Kathryn I. Pollack, professora-associada de medicina comunitária e familiar em Duke, afirmou que a maior parte do que os médicos falam aos pacientes são conselhos de especialistas, oferecidos como prescrição: tome esta pílula, ligue para mim pela manhã. Mas esse tipo de direcionamento não funciona para alterar comportamentos. “Quando se trata de mudanças comportamentais, o paciente é o especialista, não o médico”, disse ela.

“O objetivo final é ajudar o paciente a solucionar ele mesmo o problema. Os médicos precisam perceber a diferença entre o aconselhamento comportamental e o resto de seu trabalho”.

No início, nem pacientes, nem médicos sabiam que o estudo era sobre peso e a amostragem era razoavelmente grande – dois fatores que fortalecem as conclusões. Por outro lado, o desenho observacional, o fato de que o uso de medicamentos não foi acompanhado, e a ausência de pacientes mais jovens e de baixa renda, limita as conclusões que podem ser estabelecidas a partir dos resultados. Além disso, os autores reconhecem que um estudo de três meses diz pouco sobre a eficácia da entrevista motivacional em longo prazo.

Pollak disse não haver dúvidas de que os médicos estavam atentos ao problema – neste estudo, os médicos que mencionaram o peso dedicaram quase 15 minutos de seu tempo ao assunto.

“Os médicos estão ouvindo a mensagem de que precisam fazer algo”, afirmou ela. “Eles estão tentando, mas não da forma correta”.

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