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Grupo, que já conquistou títulos no Exterior, representará o Brasil nos Jogos Mundiais Militares

Seis brasileiras querem liderar a cena nos Jogos Mundiais Militares, que ocorrem em julho, no Rio de Janeiro. São as integrantes da Seleção Feminina de Paraquedismo – a primeira das Forças Armadas. Embora formada há cerca de um ano, a equipe já conseguiu a 5º colocação do Mundial Militar de Paraquedismo em Bouchs, na Suíça, em meados de 2010. Agora, com a competição olímpica em casa, elas querem mais: o pódio.

Para não fazer feio, as meninas sobem a 1.200 metros de altura e se lançam de cabeça gravidade abaixo oito vezes a cada treino. No período de 10 meses, algumas já contabilizam mais de 300 saltos. Passam cerca de 20 dias por mês dedicadas à missão e, embora a base de treino seja na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, no Sul fluminense, elas já testaram seus limites no deserto do Arizona (EUA) e na França.

A professora de caratê e educação física Beatriz Ohno, de 38 anos; a mecânica de aviação Cássia Neves, de 27 anos; e as técnicas de enfermagem Juliana Rodrigues, de 25 anos, Gabrielle Catibe, de 22 anos, Lailla Surcin, de 24 anos, e Sabrina Almeida, de 25 anos, são as combatentes da vez. Contavam com o reforço de Esther Varjão (24), que a quatro meses da competição deu baixa na equipe por problemas pessoais.

Beatriz, a mais experiente, virou militar graças à competição. Cássia foi encontrada na Força Aérea Brasileira (FAB), enquanto que Juliana, Gabrielle, Lailla e Sabrina, deixaram a rotina de macas e medidores de pressão da Brigada Paraquedista, onde ingressaram por meio da Escola de Medicina do Exército, direto para a seletiva de formação das Phoenix, alcunha pela qual a Seleção Feminina de Paraquedismo gosta de ser chamada.

Durante os dias de prova, entre 16 e 25 de julho, as moças serão testadas em 10 saltos de precisão, cuja meta é cravar o calcanhar em um círculo de 2 centímetros de diâmetro – uma moedinha de 5 centavos –, e oito em queda livre – neste caso, precisarão sincronizar 24 movimentos durante 35 segundos regulamentares antes de abrirem o paraquedas.

“Do momento em que pulam do avião e atingem a velocidade terminal de 250 quilômetros por hora, elas têm cinco segundos para darem início aos movimentos”, explica o major Eduardo Luiz Affonso, chefe da equipe.

“São três sequências diferentes. Se fizerem tudo antes dos 35 segundos, reiniciam a coreografia”, acrescenta.

Túnel de vento

Com a saída de Varjão a equipe titular – formada por Beatriz, Cássia e Juliana – ficou desfalcada. O major Affonso tem agora a difícil tarefa de escolher a quarta integrante entre Surcin, Catibe e Sabrina, que fazem parte da segunda formação da equipe. Ou seja, treinam há cerca de 10 meses. Duas vão aquecer o banco de reservas, o que não significa ficar fora da disputa.

A seletiva para a montagem do grupo foi realizada em setembro de 2009 e reuniu mulheres do Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros de diferentes estados. Todas foram colocadas dentro do túnel do vento, um simulador de queda livre operado pela Brigada de Operações Especiais do Exército em Goiânia (GO). O equipamento, uma geringonça alimentada por turbinas como as de um avião, é o único da América do Sul.

"Nesta prova, ficaram seis: quatro da FAB e duas do Exército. A Beatriz, uma experiente atleta civil, ainda não tinha sido incorporada”, relata o chefe da equipe.

“Quando recebi essa missão, falei para meus superiores que para ter bom rendimento são necessários, no mínimo, 5 anos”, lembra o major Affonso. “A ideia inicial era só representar o Brasil e garantir que as meninas não se machucassem nas provas. Mas elas surpreenderam. A expectativa agora é o pódio. Mas a colocação em que ficaremos, não sei”, diz.

Apesar da empolgação, é preciso lembrar que durante os primeiros treinos duas atletas da FAB se machucaram e foram obrigadas a deixar o grupo. “Uma delas teve fissura torácica e a outra quebrou o pé”. A saída foi incorporar Beatriz ao Exército e buscar entre as militares paraquedistas as outras substitutas.

O desafio foi longo. Embora a presença feminina na Brigada de Infantaria Paraquedista seja registrada desde 2005, as mulheres são apenas 20 dentro de um universo de 5 mil PQDs – a maioria na área de saúde –, cujo treinamento inclui apenas o curso básico de paraquedismo militar, que dura seis semanas e inclui o salto livre (com o paraquedas redondo).

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