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Tai chi: alívio para a artrite

Novo estudo mostra que a milenar técnica chinesa atenua dores

The New York Times | 26/11/2010 12:41

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Foto: Getty Images

Equilíbrio e força: técnica ajuda pessoas com artrite e fibromialgia

Um novo estudo mostrou que pessoas que sofrem de artrite podem conseguir alívio físico e emocional por meio da prática do tai chi, arte marcial milenar chinesa.

Pesquisadores constataram que pessoas que sofrem de osteoporose, artrite reumatóide e fibromialgia se sentiram melhor e se moveram com mais facilidade fazendo duas aulas por semana deste sistema de exercícios meditativos.

“A prática reduziu a dor, a rigidez muscular e a fadiga, além de melhorar o equilíbrio”, disse Leigh F. Callahan, professora associada da Escola de Medicina Chapel Hill da Universidade da Carolina do Norte e líder do estudo.

Estudos menores já haviam ligado o tai chi a benefícios similares em pessoas com artrite, mas os pesquisadores tinham questionado como as descobertas se aplicariam em uma população maior.

No novo estudo, além da evidência de alívio de brando a moderado por mei da prática, os participantes relataram ganho de mais estabilidade física e conseguiram ampliar o alcance mantendo o equilíbrio ao mesmo tempo – façanha importante para pessoas com artrite.

O tai chi, exercício que trabalha a mente e o corpo, originou-se como na China como uma arte marcial. Na prática, são utilizados movimente lentos e suaves, juntamente com respiração profunda e relaxamento para aumentar a força e a flexibilidade. Callahan, que também é membro do Centro Thurston de Pesquisa de Artrite da UNC, diz que a modalidade se popularizou nos últimos três anos.
“Tem muita gente adotando a prática e se tornando muito interessada na mesma”, disse.

Se estiver provado que o tai chi pode reduzir os sintomas de artrite, este pode ser um tratamento relativamente simples e barato para diversas formas deste mal. Callahan diz que as aulas não costumam custar muito – algumas são oferecidas gratuitamente – e, neste estudo, os participantes podiam participar mesmo sentados se não quisessem ficar de pé.

Compuseram o estudo 247 pessoas – quase todas mulheres, de raça branca e diagnosticadas com diversos tipos de artrite – designadas aleatoriamente pelos pesquisadores a participar de aulas com duração de um hora, duas vezes por semana, por um período de dois meses. As classes foram preparadas pela Fundação da Artrite dos Estados Unidos. Os participantes eram de 20 lugares diferentes dos estados de Nova Jersey e da Carolina do Norte. Para serem elegíveis ao estudo, eles tinham de conseguir se locomover sem assistência.

Antes do início do estudo e no período de avaliação de oito semanas, os pesquisadores fizeram relatórios de todos os participantes quanto aos níveis de dor, fadiga, rigidez muscular e funções físicas. Os participantes também tiveram de fazer uma autoavaliação quanto a saúde geral, estado psicológico (como sensação de desamparo) e sobre como conseguiam realizar atividades rotineiras.

O desempenho físico dos participantes também foi avaliado com o auxílio de um aparelho para testar a força e autonomia da parte inferior das pernas, um teste de marcha (normal e rápida) e dois outros testes de equilíbrio (teste unilateral das pernas e teste de alcance).

Callahan disse que ela ainda não pode quantificar o progresso em termos percentuais, mas os dados disponíveis sugerem que os participantes sentiram melhoras de brandas a moderadas, além do aprimoramento da sensação de bem-estar. Ela afirma que eles também dormiram melhor. Aparentemente, o tai chi oferece benefícios tanto físicos quanto mentais, ela complementou.

“O programa, como um todo, é designado para ajudar as pessoas a relaxar e pensar na respiração, nos movimentos. Tudo é feito lentamente e com um propósito”.

As descobertas do estudo – custeado pela Fundação da Artrite e pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos – foram recentemente lançadas no encontro científico anual da Faculdade Americana de Reumatologia, em Atlanta.

Myeong Sôo Lee, pesquisadora titular do Instituto Coreano de Medicina Oriental de Daejeon, Coréia do Sul, disse que apesar de “rigoroso”, o estudo tem limitações. Ela diz que uma delas é que não foram enumerados os benefícios de acordo com os tipos de artrite. Existem evidências que sustentam que o tai chi reduz os sintomas de artrite nos joelhos, mas não para artrite reumatóide, disse Lee – que já pesquisou sobre os benefícios da técnica para artrite.

Embora as descobertas intensifiquem a questão da prática do tai chi como tratamento para algumas formas de artrite, Lee diz que serão necessárias informações adicionais antes que isso se torne uma fórmula geral. Como foram apresentadas em uma conferência, as constatações e conclusões sobre o estudo ainda devem ser vistas como preliminares até que o mesmo seja publicado em uma revista médica revisada por profissionais da área.

* Por Randy Dotinga

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