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A quantidade de partos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em meninas com idade entre 10 e 19 anos caiu 34,6% nos últimos dez anos. Em 2000, 679.358 partos foram feitos em adolescentes. No ano passado, o número reduziu para 444.056. Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira mostram que, nos últimos cinco anos, a queda foi mais expressiva. De 2005 a 2009, houve redução de 128.485 partos em adolescentes (22,4%) na rede pública de saúde.

Para a coordenadora de Saúde do Adolescente e do Jovem do Ministério da Saúde, Thereza de Lamare, a redução reflete uma maior preparação do SUS para orientar os jovens brasileiros. Os adolescentes estão em fase de desenvolvimento, terão o primeiro namoro e é preciso que, quando decidam ter as primeiras relações sexuais, o façam da maneira mais segura e responsável possível, preservando a própria saúde e com o apoio da família, diz. Estamos no caminho certo e precisamos intensificar as parceiras com as escolas.

Caderneta

Thereza acredita que os programas de promoção de saúde desenvolvidos dentro das escolas são fundamentais para continuar diminuindo o número de adolescentes grávidas no país. O Programa Saúde na Escola (PSE) possibilitou que equipes do Saúde da Família passassem a interagir com os professores da rede pública e os ajudasse a introduzir conteúdos de saúde sexual e reprodutiva. Trabalhar no universo escolar torna a realidade mais favorável para nós, ressalta.

Mais de 8 milhões de alunos já receberam orientações sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e de gravidez indesejada nas 54 mil escolas participantes do programa. Muitos colégios também disponibilizam camisinhas aos estudantes que participam dos projetos de orientação sexual. Porém, o mais importante, na opinião de Thereza, é reconhecer os direitos sexuais e reprodutivos dos adolescentes, incentivando a busca por informações.

O Ministério da Saúde começou a produzir, no ano passado, a Caderneta de Saúde do Adolescente. O material traz informações sobre alimentação, saúde sexual e reprodutiva e sobre os malefícios causados pelo uso de drogas. Quatro milhões de cartilhas foram distribuídas a 451 municípios e, este ano, a meta é alcançar 17 milhões de jovens com a entrega de 11 milhões de cadernetas nos postos de saúde e mais 6 milhões ao PSE.

Vários fatores contribuíram para que o número de partos entre adolescentes caísse nos últimos anos. A mudança da recepção do jovem nos postos de saúde, as campanhas do ministério, as parcerias com as escolas e os diálogos com os pais são fundamentais nesse processo, ressalta a coordenadora. Ela lembra que, nos postos de saúde, após o primeiro parto, a mãe adolescente recebe orientações sobre planejamento familiar, além de insumos contraceptivos.

Realidades regionais

Apesar de a queda do número de partos de adolescentes ter sido semelhante em todas as regiões brasileiras, estão na região Norte os três estados que menos conseguiram reduzir os casos: Acre (17,57%), Pará (17,84%) e Amazonas (21,75%). Na região, em 2000, 79.416 mães com idade entre 10 e 19 anos deram à luz. Em 2009, a quantidade caiu para 62.046 (21,9%).

Segundo Thereza, a realidade dessas localidades dificulta a execução de ações de prevenção. Especialmente por conta do acesso a alguns municípios. É onde está grande parte das populações indígenas e ribeirinhas. Em muitos locais ainda não temos as equipes do Programa Saúde da Família e precisamos incentivar os estados a desenvolver iniciativas, conta. Para ela, a formação de jovens promotores de saúde é fundamental nesse processo, pois eles se tornam multiplicadores de informação.

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