
Você já observou um dente com uma pequena “falha” próxima à gengiva, como se tivesse sido lascado, mesmo sem nunca ter tido cárie naquele local? Esse tipo de desgaste é mais comum do que se imagina e atende pelo nome de abfração dentária.
A abfração é um desgaste não relacionado à cárie, que ocorre principalmente na região do colo do dente, a área de transição entre a coroa e a raiz. Diferentemente do desgaste causado por escovação excessiva ou por ácidos da alimentação, a abfração está diretamente ligada às forças mastigatórias mal distribuídas.
Quando mordemos, rangemos ou apertamos os dentes, principalmente em casos de bruxismo, ocorre uma sobrecarga lateral. Essas forças não atuam apenas para baixo, mas também para os lados, provocando uma flexão microscópica do dente. Com o tempo, essa repetição leva à perda gradual da estrutura dental naquela região mais frágil, formando um desgaste em formato de “V”.
Os sinais mais comuns da abfração incluem sensibilidade ao frio, dor ao toque, desconforto ao escovar os dentes e alteração estética, já que a gengiva pode parecer mais retraída. Em muitos casos, o paciente só percebe o problema quando a sensibilidade se torna intensa ou a estética é comprometida.
É importante destacar que a abfração não surge isoladamente. Ela costuma estar associada a outros fatores, como o bruxismo, a má oclusão (encaixe inadequado dos dentes), hábitos parafuncionais e até escovação agressiva, que acelera o desgaste já iniciado pelas forças mastigatórias.
O tratamento depende da gravidade do caso. Pode envolver restaurações estéticas para proteger o dente, ajustes na mordida, uso de placas miorrelaxantes para pacientes que rangem os dentes e orientações sobre técnica correta de escovação. Mais do que tratar, o essencial é identificar e corrigir a causa.
Quando diagnosticada precocemente, a abfração pode ser controlada, evitando dor, perda de estrutura dentária e tratamentos mais complexos no futuro.
