Atendimento odontológico adaptado para crianças com Transtorno do Espectro Autista, com foco em conforto, rotina e sensibilidade às necessidades individuais
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Atendimento odontológico adaptado para crianças com Transtorno do Espectro Autista, com foco em conforto, rotina e sensibilidade às necessidades individuais

Os problemas bucais em indivíduos com  Transtorno do Espectro Autista (TEA) vão além das dificuldades tradicionais de higiene, envolvendo aspectos comportamentais, sensoriais e neurológicos . Essa combinação de fatores faz com que essa população apresente maior vulnerabilidade a diversas alterações na saúde oral, exigindo atenção diferenciada por parte de profissionais e cuidadores .

A alta prevalência de cárie está diretamente relacionada à dificuldade na remoção do biofilme dental. Muitos pacientes apresentam limitação na coordenação motora fina, o que compromete a escovação eficaz. Além disso, dietas seletivas, frequentemente compostas por alimentos macios, pastosos e ricos em açúcares, contribuem significativamente para o desenvolvimento da doença cárie.

A doença periodontal, especialmente a gengivite, também é comum. O acúmulo de biofilme favorece inflamação gengival, levando a sangramentos e desconforto. Em muitos casos, essa condição passa despercebida devido à dificuldade de comunicação do paciente, retardando o diagnóstico e o tratamento.

A hipersensibilidade sensorial é um dos principais desafios no cuidado odontológico. A aversão à textura da escova, ao sabor do creme dental ou mesmo ao toque pode levar à recusa da higiene bucal. Estratégias como o uso de escovas ultramacias, cremes dentais sem sabor ou com sabores neutros e técnicas de dessensibilização gradual podem ajudar na adaptação.

Outro ponto relevante são os hábitos orais atípicos, como bruxismo, respiração bucal, interposição lingual e o hábito de morder objetos. Essas condições podem resultar em desgaste dental, alterações na oclusão, como mordida aberta ou apinhamento, e até dores musculares.

O traumatismo dentário também apresenta maior incidência nessa população, principalmente em decorrência de quedas, falta de coordenação motora ou comportamentos autolesivos. Os dentes anteriores são os mais afetados, o que pode impactar estética e função.

Diante desse cenário, o acompanhamento odontológico deve ser contínuo e adaptado. A abordagem preventiva, aliada a uma conduta humanizada e individualizada, é essencial para garantir melhor qualidade de vida e saúde bucal aos pacientes com TEA.

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