Eles já entenderam a importância da terapia pra melhores rendimentos profissionais
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Eles já entenderam a importância da terapia pra melhores rendimentos profissionais

Por muitos anos, se acreditou que ser atleta era cuidar do corpo, praticar ao máximo o esporte escolhido, ter um staff que cobrava resultados tendo como única preocupação o desempenho físico.

A virada do século trouxe um elemento novo para esse universo: problemas na saúde mental dos profissionais que eram tão eficazes fisicamente. Todos precisaram se equipar, estudar e entender como unir os dois polos da vitória: corpo e mente .

A ginasta Simone Biles impactou o mundo quando se retirou no meio das competições dos Jogos Olímpicos do Japão, em 2021,  ao sofrer um caso de "twisties" e perceber que sua mente não estava no lugar certo para suportar as expectativas colocadas sobre ela. As pessoas ficaram incrédulas ao verem a grande dama do esporte sair abalada e sem muitas declarações.

Se pensarmos bem, há outros nomes que já tiveram dificuldades para enfrentarem cobranças, exageros, perdas e sucumbiram, precisando do único antídoto: a pausa terapêutica.

Ainda sem ampla aceitação, a busca por tratamento acaba sendo a única saída real para casos como o de Simone, que nas Olimpiadas seguintes, veio forte, segura e terapeutizada.

Nem sempre os atletas percebem rápido que há alguma coisa que não está indo como previsto. Há tantas variáveis que podem indicar o começo de alguns tipos de questões que afetam a saúde da mente, que fica difícil identificar. Trata-se de algo novo, que comissões técnicas e dirigentes de associações só recorrem quando a crise já está instaurada e os recursos tradicionais não solucionaram a contento.

A atuação de um psicólogo em equipes de futebol no Brasil, onde vemos muitos casos de atletas que relatam dificuldades no campo da mente, teve um marco pioneiro em meados do século XX, com João Carvalhaes, que se destacou no São Paulo Futebol Clube e também na seleção na Copa do Mundo de 1958. Porém, na última Copa do Mundo, em 2022, no Qatar, Tite, treinador da nossa seleção, confirmou que propositalmente não quis profissionais da psicologia do esporte em sua comissão. Alegou curto período de preparação para criação de vínculo de confiança com os atletas. Ora se isso não é desconhecimento, em pleno século XXI, sobre o que os objetivos e benefícios que a equipe, os atletas e demais integrantes da comissão técnica poderiam ter, caso um bom trabalho de psicologia esportiva tivesse sido realizado.

Retrocessos trazem efeito rebote para muitos profissionais em times de futebol de todo o país.

Sabemos que pressão pessoal, sacrifícios sociais, lesões, bem como as cobranças os levam a se deparar com situações que não costumam saber lidar. Os gatilhos ou estímulos que podem desencadear reações emocionais intensas, ativar memórias ou traumas, podendo levar ao agravamento de sintomas de doenças mentais, são inúmeros, podendo avançar para vícios, transtornos alimentares e automutilação, por exemplo. Conhecemos vários casos que ficaram públicos: Jardel, Casagrande, Richarlison, Juninho Quixadá, Raphinha, Edinho e tantos outros.

O fato é que como eu sempre difundo, a terapia é para todos e necessita fazer parte do trabalho de preparação de qualquer atleta, bem antes que fique insustentável conviver com sintomas que começam silenciosamente nas mentes deles sem interlocução com o mundo externo.

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