Cristina Alves e sua cozinha empreendedora
Arquivo pessoal
Cristina Alves e sua cozinha empreendedora

Vou começar contando uma história pessoal. Minha mãe, que nasceu em 1945, não fez faculdade e viu no empreendedorismo uma forma de ajudar meu pai, desempregado. Eu soube que ela teve a ideia de pedir para meu avô, que tinha uma papelaria no Rio de Janeiro, papéis de presente para fazer algo diferente. Começou a vender produtos de beleza de casa em casa, mas oferecia que eles já viessem embrulhados, laçados com fitilho e destinados às pessoas que iriam recebê-los. Era época de Natal e detalhe: Ela tinha apenas estudado até o ensino médio e feito cursos de corte e costura. Essa ideia mudou a vida dela... e a minha.

Minha mãe se tornou a maior vendedora do Brasil de uma importante marca que vendia por catálogos. Nascia uma empreendedora. E assim, as mulheres foram construindo uma história de sucesso, de forma independente e corajosa. Hoje, dia 19 de novembro, é o Dia do Empreendedorismo Feminino. E eu aproveito para destacar o trabalho de tantas de nós que decidimos agir para garantir a realização e o sustento.

Pra inspirar quem está nessa jornada, conversei com duas mulheres que arregaçaram as mangas e decidiram escrever a história delas com trabalho empreendedor. Cristina Alves, 58 anos, depois de uma carreira de muitos anos em uma empresa multinacional, decidiu atuar no ramo da construção civil em sociedade com o marido. Com a separação, veio a decisão de atuar com algo que sabia fazer: receber e acarinhar as pessoas. Começou a cozinhar, preparando bolos e massas e aprimorou com cestas de alimentos denominadas grazing food, um estilo de alimentação que privilegia a fartura, a estética e a informalidade. Começou em casa, para viabilizar os custos e fica realizada com os elogios que recebe de uma clientela que valoriza esse tipo de cuidado.

Outro exemplo de mulher que empreende com maestria, é Karin Athayde, 51 anos de idade, que com 17 já trabalhava com carteira assinada. Aos 25, estava empreendendo, dando aulas de inglês e se tornando dona de escola de línguas no interior de São Paulo. Engravidou e comprou com o marido um pet shop. Com a separação, alguns anos depois, precisou tomar novos rumos. Veio para a cidade de São Paulo, uma filha e o diploma de economia. Fez consultoria financeira em grandes empresas, mas aprendeu a ser ousada com os pais, que sempre empreenderam.

Karin e as duas irmãs empreenderam, sendo que ela se tornou dona de uma confecção de moda praia. Começou com seis costureiras e dez máquinas de costura. Chegou a ter 40 costureiras, com a produção de 20 mil peças de moda praia por mês, até decidir a ter uma marca própria de beach wear . Para ela, “a vida da mulher empreendedora é dura, tanto quanto ser mulher, mas acredita que o melhor argumento para mostrar seu poder está no resultado que entrega. Há algumas décadas, uma mulher não podia assinar um contrato de locação, então, estamos avançando muito.” Ela disse que se sente mais respeitada como empreendedora do que dentro de uma empresa convencional, no mundo corporativo.

As duas tem muitos sonhos ainda. Karin disse que, costuma acordar e se perguntar se deve continuar, mas não desiste, ainda esperando que o brasileiro aprenda a dar valor para as coisas que são fabricadas no próprio país, feitas pela sua comunidade. O mesmo que Cristina, que deseja expandir e ver seu trabalho ainda mais valorizado. Ela diz: “sou cozinheira sim, com muito orgulho”.

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