Os cuidados importantes na Black Friday
Reprodução IA
Os cuidados importantes na Black Friday

A Black Friday, que em 2025 cai no dia 28 de novembro, já faz parte do calendário emocional do consumidor. Para muita gente, é o momento de realizar sonhos de compra e aproveitar descontos reais. Uma data cheia de oportunidades, e negar isso seria ignorar um fenômeno global que movimenta expectativas, listas de desejo e um certo encanto por “encontrar o negócio perfeito”.

Mas, ao mesmo tempo, a Black Friday acende um sinal de alerta. O ambiente criado pelas marcas, influenciadores e plataformas digitais é cuidadosamente pensado para estimular ação rápida, pouca reflexão e muita emoção. É aqui que mora o risco: em meio ao entusiasmo coletivo, fica mais fácil ultrapassar limites e cair em padrões de compra compulsiva.

O que nos provoca a comprar mais do que precisamos?

A ciência e a psicanálise ajudam a entender o motivo pelo qual ficamos especialmente vulneráveis em um dia de buscar descontos. Primeiro, há os gatilhos externos, claros e visíveis, como:

Urgência: “só hoje”, “últimas unidades”, “contagem regressiva”.


Sensação de escassez: a ideia de que, se não clicarmos agora, perderemos algo valioso.


Recompensa instantânea: um clique e a compra é confirmada — rápido, fácil, prazeroso.


Ambiente emocional excitado: todo mundo falando sobre descontos, posts de achadinhos, lives com ofertas “imperdíveis”.
Porém, existem também gatilhos mais silenciosos:

A busca por alívio emocional quando estamos ansiosos, estressados, solitários ou frustrados.


A tentativa de preencher sensações de vazio, tendo o objeto comprado como um “remendo” rápido para algo que não conseguimos nomear.
A ilusão de completude: Lacan já apontava que o objeto promete uma satisfação que nunca se cumpre — e por isso voltamos a repetir o ato.
Tudo junto, cria terreno fértil para compras impulsivas, especialmente em ambientes como a Black Friday, em que tudo é estrategicamente desenhado para acelerar o desejo.

Segundo Priscilla Leitner, psicóloga especializada em compulsão, essa época do ano também propicia compras por impulso, afinal, geralmente, as pessoas estão mais cansadas e até frustradas. A compulsão chega como uma forma de nos afastar da consciência de nossas emoções. Metaforicamente, é como anestesiar uma dor e preencher um vazio. “Essa novidade dá volume num gatilho que já está ali. A solução é fugir dessa expectativa e ter limites gentis”, analisa a psicóloga.

A psicóloga Priscilla Leitner dá dicas importantes
Arquivo pessoal
A psicóloga Priscilla Leitner dá dicas importantes



Ela ainda alerta para o risco de que a dopamina, que vem junto com a compra, vai embora e a pessoa repete o processo. Portanto, “é importante ter consciência de que é necessário lidar com a própria emoção, senão a pessoa fica sempre suscetível a esse tipo de impulso”, completa Priscilla Leitner.

Como atravessar a Black Friday com mais consciência?

Uma boa forma de se proteger é observar quando o desejo de comprar aparece. Ele vem de uma necessidade real? Ou de uma emoção que estamos tentando calar? Pequenas estratégias também ajudam: criar uma lista prévia, evitar navegar sem objetivo, limitar notificações, deixar o cartão menos acessível. São formas práticas de construir uma pequena barreira entre o impulso e a ação.

A Black Friday pode, sim, ser uma festa de boas oportunidades. Mas também é um palco onde nossos impulsos, desejos e fragilidades ficam mais expostos. Ao entender os gatilhos, conseguimos atravessar essa data com mais consciência, fazendo escolhas que realmente nos façam bem.

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