
O Carnaval também é produção de pertencimento coletivo num país com dimensão continental. Roberto DaMatta, antropólogo e autor da obra “Carnavais, malandros e heróis: Para uma sociologia do dilema brasileiro”, tem estudos sobre o evento, como fenômeno social e simbólico na formação da identidade brasileira.
A origem da festa passou a fazer parte da nossa realidade lá pelos séculos XVII-XIX, com o entrudo, brincadeiras trazidas de Portugal, que utilizavam água, farinha e frutas podres. Depois, vieram os bailes de máscaras, os corsos ou desfiles de carros, os ranchos e os cordões. Já na década de 1950, o Carnaval vira símbolo nacional e surgem os concursos oficiais de escolas de samba. Logo chegamos à visibilidade que temos para o espetáculo, que ganha transmissão televisiva e reconhecimento internacional.
Atualmente, vemos a explosão dos blocos de rua, a ocupação do espaço público e uma festa bastante diversa. Vale buscar entender sobre o que conversa com sua forma de viver, pensar e encarar essa mistura verde e amarela.
O carnaval é o puro suco do Brasil, pois contém ironia, crítica social, brincadeira, música e alegorias. Na festa, não há diferenças, mas a união em torno de algo que representa quem está lá, seja no Sambódromo, nas ruas ou nos clubes.
A fantasia, como o nome já diz, enfeita o que não tem brilho durante o ano inteiro. O riso alivia a tensão, dá um fôlego para dias tão corridos, histórias comuns, proporciona encontros e promove a perpetuação de nossa cultura.
Que venha o Carnaval, a festa que é considerada a mais popular do mundo. Abram alas que ele quer passar e encantar.