Rangel Rodrigues, empresário e atleta amador que foi selecionado para a 130ª Maratona de Boston
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Rangel Rodrigues, empresário e atleta amador que foi selecionado para a 130ª Maratona de Boston


Estudos comprovam que a saúde mental não está dissociada da saúde física, afinal um depende do outro e estão refletindo o que acontece no corpo humano. Pesquisa de 2023, da University of South Australia, publicada no British Journal of Sports Medicine, confirma que o exercício físico pode ser até 1,5x mais eficaz que medicamentos ou terapia para reduzir sintomas de depressão, ansiedade e sofrimento psicológico.

O atleta amador Rangel Rodrigues, de São José o Rio Preto é prova viva disso. Está com 50 anos de idade e conquistou, recentemente, vaga para participar da 130ª edição da Maratona de Boston, uma das provas mais antigas e difíceis mundo. A classificação veio depois que ele garantiu o segundo lugar na SP City Marathon. O que as pesquisas indicam já é realidade para Rangel, que pratica Triathlon desde 2006 e já participou 12 vezes de provas de Ironman.

A Maratona de Boston, que acontecerá na próxima segunda-feira, dia 20 de abril, não promove sorteio aberto para participação, como outras grandes maratonas. Nela, os corredores precisam atingir índices para estarem nesse lugar histórico. Essa edição teve inscrição de 33.249 atletas, mas apenas 24.362 foram aceitos para performarem em um percurso conhecido pelas dificuldades, já que tem trechos de descida no começo e subidas desafiadoras durante todo o trajeto até a chegada no centro da cidade americana. Outros números estão entre as curiosidades da prova: Há corredores de 120 nacionalidades, sendo o mais jovem com 18 anos e o mais velho com 83 de idade.

Rangel conta que o principal esporte dele sempre foi a corrida, apesar de ter variado por ciclismo e natação, mas conta que começou de forma despretensiosa, porque precisava emagrecer, ainda adolescente. Segundo ele, a corrida é, de fato, uma forma democrática de melhorar a performance, pois não necessita de muitos recursos, além de exames físicos, um tênis e determinação. Ele não se considera um atleta, pois não tem dedicação integral para isso, apesar do condicionamento. “Eu me dedico ao esporte pois me sinto exemplo para muita gente”, conclui.

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"Nunca passa pela minha cabeça que eu não vou conseguir e que minhas forças estão acabando"



Quando pergunto o que faz ele faz para ter forças durante uma prova, revela: “É sempre ter pensamento positivo. Nunca passa pela minha cabeça que eu não vou conseguir e que minhas forças estão acabando. Estou sempre focado na linha de chegada, independente de qualquer situação. A ideia é sempre terminar. Já são mais de 20 anos me dedicando e eu só desistiu uma vez, em centenas de provas”. Incentiva.

A ideia de uma correlação intrínseca da saúde do corpo e da mente tem base sólida em diferentes áreas da ciência, como a Psicologia, a Fisiologia e a Neurociência, que mostram que o nosso organismo possui uma tendência natural à autorregulação, onde ambos trabalham juntos para retornarmos a um estado de equilíbrio. Quando nos movimentamos, estamos ativando ajustes internos, como liberação de neurotransmissores, regulação hormonal, melhora da circulação e reorganização de circuitos cerebrais. Esse processo envolve diretamente a Neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de se adaptar, se reorganizar e até se recuperar a partir das experiências vividas.

A prática regular de atividades como caminhada, corrida ou esportes ajuda a reduzir estados crônicos como estresse e ansiedade e favorece o retorno ao equilíbrio. Isso explica por que muitas pessoas relatam uma sensação de “mente mais leve” após o exercício, um ajuste fisiológico real.

Outro ponto importante é que corpo e mente não funcionam separados. Emoções influenciam o corpo e vice-versa. O problema da vida contemporânea é que temos excesso de estímulos artificiais (tela, sedentarismo, estresse contínuo) e falta dos estímulos reguladores naturais (movimento, natureza, pausa, presença). Por isso, práticas simples como correr, caminhar e respirar com atenção funcionam quase como um “reset biológico”.

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