
Carla Tieppo foi uma das convidadas mais marcantes que já passaram pelo podcast Na Trilha da Coragem. Neurocientista, professora e coordenadora da pós-graduação em Neurociência para Educação que curso atualmente, ela se dedica, há mais de três décadas, a compreender como o cérebro humano aprende, decide e transforma comportamentos.
Nossa conversa foi uma verdadeira aula sobre aquilo que move as nossas escolhas. Falamos sobre dopamina, os mecanismos cerebrais que ajudam a explicar o crescimento das apostas esportivas, os impactos do burnout na saúde mental, a importância da liderança humanizada e uma ideia que precisa ser entendida por qualquer gestor: as pessoas não seguem processos, seguem exemplos.
Hoje, 22 de julho, é celebrado o Dia Mundial do Cérebro, data criada para nos convidar a refletir sobre um órgão extraordinário que, silenciosamente, influencia praticamente tudo o que fazemos: das decisões mais simples aos hábitos que podem determinar nossa qualidade de vida. Afinal, é o órgão central do sistema nervoso, pesando cerca de 1,5 kg, composto por bilhões de neurônios interconectados, que comanda movimentos, sentidos, pensamentos e emoções.
Um dos pontos que mais chamou minha atenção foi a explicação sobre a dopamina, que muito além de ser conhecida como o neurotransmissor do prazer, participa dos mecanismos de motivação, expectativa e recompensa. É justamente esse sistema que pode ser ativado por experiências tão distintas quanto aprender algo novo, conquistar um objetivo ou permanecer preso ao ciclo das apostas esportivas.
Quando falamos das bets, Carla fez um alerta importante: "A bet hoje é um dos elementos mais importante desse consumo de dopamina barata. Eu não gosto desses termos, acho que eles ficaram midiáticos, mas a dopamina barata é aquela onde você pode obter um resultado extraordinário, com nada de esforço. Essa dopamina é a que você vai mais buscar. E nós fomos escalando tanto, que precisou de algo muito histriônico como a bet, com o nível de acesso que tem e tem o pix ajudando, para gerar um fluxo muito rápido para as pessoas apostarem. E eu te digo mais, não é um elemento de sorte. Quando é sorte tem menos dopamina", explica a neurocientista.
Foi nesse contexto que Carla trouxe uma reflexão importante para o nosso papo: "As pessoas não seguem processos; seguem exemplos." Uma frase que sintetiza o papel da liderança humanizada e que mostra que ambientes emocionalmente seguros favorecem aprendizagem, inovação e colaboração. Não basta criar regras, é preciso inspirar comportamentos.
Como psicanalista e estudante de neurociência, saí dessa conversa ainda mais convencida de que coragem e conhecimento caminham juntos. Conhecer o funcionamento do cérebro não elimina nossos desafios, mas amplia nossa capacidade de fazer escolhas mais conscientes.
Fica o convite pra conhecer melhor quem realmente está por trás de todas as suas decisões: o seu cérebro.