Jason Sudeikis como o coach Ted Lasso em uma série ficcional que inspira e traz lições para o imediatismo presente na vida real
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Jason Sudeikis como o coach Ted Lasso em uma série ficcional que inspira e traz lições para o imediatismo presente na vida real

E se o maior diferencial de um líder não fosse ter todas as respostas, mas conseguir criar um ambiente em que as pessoas desenvolvem o próprio potencial? É a partir dessa provocação que podemos olhar para Ted Lasso, série que utiliza o futebol como cenário para discutir liderança, trabalho em equipe, criatividade, empatia e comportamento humano.

A produção, protagonizada por ator Jason Sudeikis, apresenta Ted Lasso, um treinador de futebol americano que vai à Inglaterra comandar o AFC Richmond, mesmo sem dominar o futebol britânico. A série conta com  quatro temporadas até 2026, sendo as três primeiras lançadas entre 2020 e 2023.

A premissa já apresenta uma situação curiosa: como liderar uma equipe em um ambiente no qual você não possui a mesma experiência técnica de quem está ao seu redor?

Ted Lasso permite refletir sobre uma ideia muito presente no mundo corporativo, a de que os resultados não dependem apenas de talentos individuais. Uma equipe pode reunir profissionais competentes e, ainda assim, enfrentar dificuldades por falta de comunicação, confiança ou objetivos compartilhados. Da mesma forma, a liderança não se resume ao conhecimento técnico ou à capacidade de dar ordens. O treinador precisa reconhecer competências, estimular a colaboração, lidar com conflitos e aprender com as pessoas que fazem parte do time.

A criatividade surge como outra camada importante na obra, pois o treinador mostra que quando os planos não funcionam, é preciso rever estratégias, ouvir diferentes perspectivas e encontrar novas possibilidades. Ele nos apresenta uma lição que é a de uma equipe não evolui apenas porque seus integrantes são talentosos, mas quando desenvolve a capacidade de trabalhar em conjunto, aprender com os erros e assumir responsabilidades.

Um dos aspectos mais interessantes da série é mostrar personagens que enfrentam limitações, conflitos e mudanças. A evolução humana também faz parte do jogo e ninguém é apresentado como alguém pronto, que deixou de ter dificuldades. Essa perspectiva permite discutir o desenvolvimento humano como um processo que envolve autoconhecimento, responsabilidade, autorregulação emocional e disposição para rever comportamentos.

Tanto é que uma psicóloga foi escalada para trabalhar no clube fictício e trazer resultados a partir de conversas francas e devolutivas embasadas. Ted Lasso inicialmente é cético em relação à terapia e reluta em aceitar o trabalho de Sharon com os jogadores e com ele mesmo, pois conforme a ansiedade de Ted piora na segunda temporada, ele finalmente reconhece que precisa de ajuda e passa a frequentar as sessões com Sharon. A relação entre os dois desmistifica o papel da psicologia esportiva e mostra que mesmo líderes otimistas precisam de um espaço seguro para processar traumas e emoções difíceis

Liderar também exige olhar para si e é nesse ponto que Ted Lasso ultrapassa o futebol. Tanto é que o treinador comportamental Andre Dunker recomenta a série para quem busca autoconhecimento através do trabalho que ele realiza: “Faz parte do protocolo”, conta.

A apresentadora Camila Galetti também se tornou fã da série: “Um amigo me indicou Ted Lasso e comecei a assistir logo depois da Copa do Mundo, com a participação de Jason Sudeikis, ao lado de Justin Bieber. Isso aguçou ainda mais minha vontade de conhecer a série”. Camila se refere à decisão final do campeonato, entre Espanha e Argentina no MetLife Stadium, quando Ted Lasso e o Treinador Beard apareceram no show do intervalo para apresentar a performance de Justin Bieber, fazendo referência ao famoso cartaz de "Believe" da série com um trocadilho "Beliebe".

“Adoro produções leves, que transmitem mensagens positivas. Ted é resiliente, deixa um rastro de amor por onde passa, mas também revela suas limitações, humanizando o personagem. É uma série surpreendente, envolvente e emocionante, especialmente quando mostra pessoas que se importam com o outro, que conseguem deixar o ego de lado e permitir que o coração fale mais alto. A história nos lembra que erramos muitas vezes, mas podemos escolher tentar fazer diferente. O roteiro é inteligente, sensível e muito bem escrito”, finaliza a apresentadora.

Uma história ficcional trazendo inspiração para a vida real e eu estaria na torcida desse estádio.
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Uma história ficcional trazendo inspiração para a vida real e eu estaria na torcida desse estádio.


Para mim, o sucesso de Ted Lasso também se deve ao trabalho de uma equipe de roteiristas que ajudou a construir personagens marcantes, histórias emocionantes e episódios que conquistaram o público. Há momentos de doçura necessária, de falas que servem para nos fazer refletir, surpresas que deixam qualquer líder pensativo sobre a tradicional forma de trabalhar. 

Jason Sudeikis e Bill Lawrence escreveram juntos o icônico episódio de estreia, Pilot (S01E01), responsável por apresentar o universo da série, e também participaram da criação do marcante encerramento da terceira temporada, So Long, Farewell (S03E12). Brett Goldstein, intérprete de Roy Kent, foi inicialmente contratado como roteirista e contribuiu para episódios importantes da produção, como Tan Lines (S01E05) e The Signal (S02E06). Brendan Hunt, que interpreta o Coach Beard, e Joe Kelly também fizeram parte da equipe responsável por desenvolver as bases da série ao lado dos demais criadores.

Mais do que construir diálogos e situações divertidas, os roteiristas de Ted Lasso ajudaram a transformar a série em uma história sobre amizade, vulnerabilidade, liderança, relacionamentos e a possibilidade de recomeçar, tendo a confiança como base.

Uma das curiosidades mais interessantes de Ted Lasso é que o clube fictício AFC Richmond ganhou uma existência quase real fora das telas. A história da série, somada às locações utilizadas nas gravações, despertou o interesse de fãs que desejam conhecer os lugares onde a produção foi filmada, no Reino Unido. O fenômeno mostra como uma série de televisão pode ultrapassar a ficção e movimentar o turismo, transformando ruas, pubs e estádios em pontos de interesse para quem acompanha a história.

Um dos reflexos mais curiosos do sucesso de Ted Lasso foi a popularidade das camisas do AFC Richmond, o time de futebol fictício da série. Embora o clube não exista como uma equipe profissional real, suas cores, seu escudo e a identidade criada para a produção conquistaram fãs que passaram a vestir a camisa como se estivessem apoiando um time de verdade. O mais interessante é que as pessoas não compram apenas uma camisa e sim a possibilidade de fazer parte do universo da série.

Ted Lasso foca no progresso gradual, na resiliência e no desenvolvimento humano e coletivo a longo prazo e não apenas no resultado imediato. Uma lição necessária para o futebol real, a ansiedade corporativa do lado de cá da tela e a falta de empatia em muitos ambientes do nosso cotidiano.

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